Estava fazendo falta. A chuva que começou na madrugada de ontem, e durou todo o dia, era aguardada com ansiedade pelos bauruenses porque o ar seco estava piorando o quadro de doenças respiratórias. E mesmo quem não sofre do problema, já sentia nas narinas e na pele a conseqüência da baixa umidade do ar. Após 42 dias sem chuva, o acumulado de ontem, até as 22h, foi de 45 milímetros, segundo o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), mais que a média histórica para todo mês de julho, que é de 30 milímetros.
A última chuva em Bauru havia sido em 3 de junho. De lá para cá, nem sinal de nuvens no céu, e a umidade relativa do ar baixou a níveis críticos. No dia 4 de julho, ela caiu para 17%, mas o pior mesmo foi em 6 de junho, quando o nível baixou a 15,5%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera preocupantes índices inferiores a 30%. Com as fortes chuvas que caíram na manhã de ontem, a umidade do ar subiu a 100%.
O mês de julho, historicamente, é um mês de pouca chuva. De acordo com as estatísticas do IPMet, nos últimos nove anos, apenas em dois a precipitação acumulada no mês todo foi maior que a somada no decorrer do dia de ontem: em 2004, julho fechou com 62,3 milímetros e em 2000, com 54,4 milímetros. Por outro lado, em 2005 durante todo o mês choveu apenas 8,7 milímetros. E em 1999, somente 6,9 milímetros.
Portanto, os 45 milímetros acumulados ontem são muito bem-vindos para a população em geral que sofria com o ar seco e para agricultura e agropecuária. E a previsão é de mais chuvas. Segundo a meteorologista Rita Cerqueira, do IPMet, o tempo deve permanecer instável hoje e amanhã, com pancadas de chuva. Na quinta-feira, a previsão é de tempo nublado.
Em pleno inverno, mas com temperatura máxima de 29 graus no domingo, a chuva trouxe frio. Ontem à noite, a temperatura estava na casa dos 15 graus. E a temperatura mais alta foi registrada antes da chuva: 18,6 graus a 0h5.
Apesar das previsões de chuva para hoje e amanhã, o bauruense ainda deve enfrentar períodos de ar seco neste inverno. É que a estiagem só termina em setembro. No ano passado, por exemplo, enquanto os meses de junho, julho e agosto somaram 62 milímetros de chuva, apenas em dezembro do mesmo ano foram 251 milímetros, quatro vezes maior que a somatória dos três meses.