A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) multou duas fazendas da região por desobediência às regras de queima de palha de cana. As fazendas, que tiveram seus nomes preservados porque ainda não foram notificadas oficialmente, infringiram o item que prevê que as queimadas só podem ser feitas a mais de um quilômetro do perímetro urbano.
As duas propriedades rurais receberam a mesma multa, 7,5 UFESP, valor equivalente a R$ 105 mil, segundo o gerente regional da Cetesb, engenheiro Alcides Tadeu Braga.
Ele ressalta que as autuações foram frutos de denúncias da população. “Comparando o número de denúncias do ano passado para este, constatamos uma queda. Acredito que as usinas estão tentando seguir as normas.”
Para ele, as regiões de Jaú e Lençóis Paulista são as que detém maior número de queimadas, até porque são os municípios da região que têm áreas plantadas de cana-de-açúcar.
As propriedades autuadas estão em Jaú e Agudos. “Elas ainda não foram notificadas”, avisa. As queimadas, segundo Braga, são permitidas apenas no período noturno, quando a umidade do ar é maior e a dispersão dos gases se torna mais fácil.
Prejuízo ambientais
A queimada da palha de cana afeta o aquecimento global e polui a atmosfera. Ela não respeita respeita limites geográficos. Muitas vezes uma queimada em Lençóis Paulista, em decorrência do vento, vai cair em Bauru. O governo tem tomado algumas medidas paliativas, como permitir a queima só no período noturno, por exemplo, mas isso ameniza, não resolve. Esta é a opinião do ambientalista Ivan Alexandre Ferrazoli de Marche.
Para ele, a mídia tem demonstrado para a população, através dos programas de governo, que o álcool é o biocombustível do futuro. Na verdade, no Brasil o álcool já existe desde a década de 70, só que numa escala até aceitável. O que o governo propõe agora é ampliar essa safra e consequentemente aumentar a poluição. “Eu questiono: será que o álcool é realmente um combustível limpo? Há questões sociais que estão inseridas neste contexto de produção de cana, trabalho escravo na região Norte e no Estado de São Paulo, e outras que teriam que ser discutidas. A Europa questiona a compra desse produto em função dessas coisas.”
Ele acha que a região de Jaú é uma das que mais sofre, porque o solo é mais propício para produção de cana do que o nosso, de Bauru. “Mas a gente sabe que Lençóis está sendo tomada chegando até Botucatu. Até em Bauru, pequenas propriedades estão abandonando a cultura de pastagem para arrendar a terra para a usina que oferece mais vantagens financeiras.”
O ambientalista aposta na atuação da população. “Os moradores de Jaú e Bauru são mais atuantes no sentido de denunciar, cobrar do poder público algumas ações. Muito do que o governo tem feito é em decorrência das denúncias.”