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Renan busca limitar a perícia; oposição reage e cobra pressa

Por Fernanda Krakovics | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Brasília - Na véspera da reunião da Mesa Diretora, o dia ontem foi de articulações políticas no Senado. A oposição se mobilizou para garantir o envio hoje, à Polícia Federal, de pedido de aprofundamento da perícia em documentos apresentados por Renan Calheiros (PMDB-AL).

Já o presidente do Senado se empenhou na reconstrução de sua base de apoio na Casa. Renan ligou para os demais membros da Mesa - seis titulares e quatro suplentes - e negou que esteja articulando para atrasar o processo que enfrenta no Conselho de Ética.

Em outro gesto de recuo, Renan encaminhou ontem ao plenário um ofício no qual se declara impedido de tomar decisões relativas ao processo contra ele. No documento, Renan pede ao presidente do conselho, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que encaminhe ao vice-presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC), as correspondências relativas ao caso. A perícia da Polícia Federal é a principal linha de investigação do conselho.

Renan é suspeito de ter despesas pagas por um lobista da empresa Mendes Júnior. Ele nega e, para provar que tinha rendimentos suficientes, declarou ter ganho R$ 1,9 milhão com venda de gado nos últimos quatro anos.

Ignorando acordo feito entre líderes partidários e membros da Mesa, Renan adiou para hoje - véspera do recesso - a reunião do colegiado, que estava prevista para a quinta passada. Em outra frente, ele articulava para que o senador Magno Malta (PR-ES) pedisse vista do pedido de perícia, o que jogaria a decisão para agosto. Malta não está disposto a ficar com o desgaste. “Renan nunca me ligou nem me sugestionou.”

A estratégia de Renan agora é tentar limitar as investigações da PF. Seu advogado, Eduardo Ferrão, que deve participar da reunião da Mesa, deve tentar excluir algumas das 30 perguntas a serem encaminhadas à PF. O objetivo da perícia é verificar se as operações de venda de gado declaradas por Renan ocorreram. O senador, porém, quer limitar a análise à autenticidade dos documentos, impedindo uma investigação fiscal. Ele alega que a PF precisa de autorização do STF para aprofundar as apurações. Em laudo preliminar, a PF apontou inconsistências nas notas fiscais apresentadas por Renan.

A oposição reiterou a ameaça de paralisar o Senado se não for encaminhado à PF o requerimento de aprofundamento da perícia. O líder do DEM, José Agripino (RN), ligou para Tião Viana para dar o recado.

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), acusou a mídia de tratar de modo diferenciado o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB, 1995-2002). “Pergunto a vocês se já compararam a situação do Renan Calheiros com a do Fernando Henrique Cardoso, que teve um filho com uma colega nossa (uma jornalista). Nunca foi entrevistada, o filho nunca apareceu no jornal. E essa colega nossa foi para Portugal às expensas de uma empresa de comunicação, conhecida no Brasil inteiro como TV Globo”, disse o governador, depois de um encontro com Paulo Bernardo (Planejamento), no Planalto.

FHC teria tido uma filha com uma jornalista quando era senador. Nenhuma das partes envolvidas confirma, porém, a veracidade da história, nem se mostra disposta a levá-la a público. A política da “Folha de S.Paulo” tem sido a de considerar que tais situações devem permanecer na esfera particular enquanto não houver indício de que interfiram na administração pública.

No caso de Renan, suspeita-se que o dinheiro do pagamento de pensão judicial ao filho nascido de uma relação extraconjugal pudesse pertencer a uma empreiteira. Renan alega que o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, apenas intermediava os pagamentos - e que o dinheiro era dele, Renan. O Senado investiga o caso.

Questionado, Requião disse que ambos os casos são “exatamente a mesma coisa”. “Do ponto de vista ético e moral, é a mesma coisa. Ou não, porque o Renan disse que quem pagou a moça foi ele mesmo”, disse o governador. “O Renan está sendo fuzilado e o FHC foi protegido à exaustão”, completou.

A Central Globo de Comunicação disse, por meio de nota, que “este tipo de comparação não procede, pois, como empresa de comunicação, a TV Globo não cuida da vida privada das pessoas e sim de temas de interesse público. Como empresa, ela paga salários aos seus funcionários e não pensão”. O ex-presidente FHC disse por meio de sua assessoria que não iria comentar o caso.

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