Tóquio - Cerca de 100 recipientes contendo resíduos tóxicos na usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa, no Japão, foram derrubados pelos terremotos de anteontem no país e vários apresentaram perda de líquido, informou a agência de notícias Kyodo ontem. A companhia energética responsável, Tepco, já encontrou ao menos 50 pontos de mal funcionamento na usina após os terremotos.
Dois terremotos, um de 6,8 graus e outro entre 6,6 graus e 6,8 graus na escala Richter, atingiram a Costa Oeste do Japão anteontem e deixaram ao menos nove mortos e 1.000 feridos no país. O primeiro tremor causou incêndio na usina de Kashiwazaki-Kariwa, uma das maiores do mundo, seguido por um vazamento inicial de água contendo materiais radioativos no mar do Japão. Depois de admitirem o vazamento de água contaminada, especialistas analisam agora a quantidade de lixo tóxico que teria escapado e se há risco para o ambiente.
Além dos 50 pontos de problemas, que incluem vazamentos de água e canos estourados, a Tepco afirmou que ainda poderá encontrar novos problemas ao longo da inspeção. Quatro dos sete reatores da usina estavam em funcionamento quando o primeiro terremoto atingiu o Japão, e todos foram fechados automaticamente por um mecanismo de segurança antitremores. A empresa afirma ainda que houve emissão acidental de cobalto-60 e cromo-51 (radioativos) da usina para a atmosfera, mas não se sabe a razão. Kensuke Takeuchi, porta-voz da Tepco, disse que os defeitos são “problemas pequenos” que não apresentam danos ao ambiente externo ou à saúde pública.
Apesar das garantias, os vazamentos despertaram uma reação irada de críticos e ativistas antienergia nuclear no Japão. Até altos oficiais do governo criticaram a falta de segurança no país, que se situa em uma das áreas com maior incidência de terremotos do mundo.
O pior acidente nuclear do Japão ocorreu em setembro de 1999, quando dois trabalhadores morreram e centenas de outros foram expostos a radiação em Tokaimura, ao nordeste de Tóquio. Há 55 reatores nucleares no país, que fornecem cerca de um terço da energia utilizada nacionalmente.