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Estudo indica um aumento no risco de apagão no País em 2011

Por Lorenna Rodrigues | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Mesmo depois de o Ibama conceder licença para as hidrelétricas do rio Madeira e de o governo decidir construir a usina de Angra 3, o risco de apagão continua a rondar o País. De acordo com estudo divulgado ontem pelo Instituto Acende Brasil, que representa investidores em energia elétrica, o risco de faltar energia chega a 32% em 2011.

No melhor dos cenários - que considera que o Brasil só vai crescer 4% ao ano e que nenhuma das usinas previstas para entrar em funcionamento nesse período vai atrasar - a chance de apagão é de 16,5%, muito acima dos 5% considerados normais pelo governo.

De acordo com o consultor Mário Veiga, responsável pelo estudo, os grandes projetos anunciados pelo governo e incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não excluem o risco de apagão nos próximos quatro anos porque as usinas só ficarão pronta depois disso. “Angra 3 só entra em 2014 e o Madeira em 2012, o que não ajuda. A maior parte das usinas planejadas para 2011 já existem, se você tem um buraco no planejamento, não tem pra onde recorrer”, disse Veiga.

O estudo mostra que faltarão cerca de 3,1 mil MW médios, o que equivale à soma das usinas de Santo Antônio, no Rio Madeira, e de Angra 3. A situação é pior para os chamados consumidores livres, grandes consumidores de energia, como indústrias e shoppings, responsáveis por 10% da energia consumida no País. Como eles compram energia diretamente das geradoras, são obrigados a ter contratos ou, do contrário, serão multados pelo governo. “Essa falta está predominantemente na conta dos consumidores livres que fizeram uma opção de contratar energia a curto prazo e agora não têm para onde recorrer”, declarou o presidente do instituto, Cláudio Sales. De acordo com Veiga, a multa para os consumidores livres sem contratos no ano que vem pode chegar a R$ 1 bilhão.

Apesar do tom alarmista, o estudo do Acende Brasil apresentou alternativas para a falta de energia. De acordo com Sales, uma das opções é “destravar” as usinas que produzem energia a partir de biomassa, como bagaço de cana-de-açúcar. Além disso, eles sugerem leilões específicos para consumidores livres e que o governo planeje novas usinas termelétricas para esse período - mais caras e mais poluentes.

O risco de faltar energia nos próximos quatro anos aumentou depois do fracasso do leilão de energia alternativa, em junho, diz o estudo. No leilão, considerado “decepcionante” até mesmo pelo ministro de Minas e Energia, Nelso Hubner, foram vendidos cerca de 186 MW médios, enquanto o governo esperava cerca de 1.200 MW.

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