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Argello assume vaga sob ataques

Folhapress
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Brasília - Treze dias depois da renúncia do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), o suplente Gim Argello (PTB-DF), 45 anos, assumiu no final da tarde de ontem a vaga já sob ameaça de ter o mandato cassado e debaixo de uma série de ataques de senadores. Com pendências com a Receita e respondendo a seis processos e inquéritos civis e criminais, Argello foi empossado às 17h30 ao lado da ex-mulher e de um dos filhos.

Cerca de uma hora depois o Psol já ingressava na Mesa do Senado com representação pedindo investigação do Conselho de Ética por suposta quebra do decoro. Quem deu posse ao petebista foi o vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), que momentos antes declarara à imprensa se sentir constrangido com a nova companhia: “Sem dúvida é constrangedora (a posse). Já foi anunciado por um magistrado que pesam fatos graves contra ele, e o que mais importa ao senadores hoje é a imagem da Casa. Infelizmente não há como impedir a posse, o que se pode fazer é abrir imediatamente um processo no Conselho de Ética”.

O primeiro discurso que Argello ouviu após ser empossado foi o do líder da bancada do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que listou as suspeitas que pesam contra o petebista: “Para mim, vossa excelência deveria se endereçar à tribuna e imediatamente responder a essas acusações”, disse Virgílio, que já se declarara impedido de dizer “bem-vindo” a Argello. “Não gostaria de ser prejulgado. Oportunamente, mostrarei que não devo nada, que não tenho culpa nenhuma nessa história”, limitou-se a dizer Argello, que deixou o Senado dizendo a senadores estar “pronto para a guerra”.

Sua saída foi marcada por grande tumulto entre seus seguranças e a imprensa (jornalistas registraram queixa na Polícia Legislativa). Ao responder a Virgílio, Argello seguiu à risca a orientação dos poucos aliados que lhe prestaram solidariedade, os deputados federais Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e Jofran Frejat (PR-DF).

Sá alertou-lhe que Virgílio pretendia questioná-lo com o objetivo de que ele já deixasse registrado em plenário sua versão sobre as acusações. Mentir em plenário é um dos motivos mais fortes para configurar a quebra de decoro.

Além dos dois deputados, só o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), lhe prestou solidariedade, dizendo para ficar “tranqüilo”. Joaquim Roriz renunciou ao mandato no dia 4 para evitar a cassação. Ele era suspeito de receber um cheque de R$ 2,2 milhões como propina.

O Ministério Público e a Polícia Civil do Distrito Federal investigam a venda de um terreno em Brasília, que teria gerado valorização de R$ 72 milhões, como suposto motivador do repasse do cheque. Argello é suspeito de intermediar essa venda.

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou hoje que pedirá hoje à Justiça o que há na investigação contra Argello. Tuma recebeu a visita do advogado do petebista, Maurício Corrêa, que lhe entregou a defesa de seu cliente. O processo de cassação só deve ser aberto em agosto, após o fim do recesso do Congresso.

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