Professores da rede de educação infantil de Bauru querem que a Secretaria Municipal de Educação diminua dos atuais 200 para os anteriores 180 a quantidade dos dias letivos, encerrando as atividades desenvolvidas em julho nas instituições escolares do setor. Os docentes alegam que neste mês a freqüência de crianças nas escolas é baixa, mas a administração adianta que dificilmente reverterá a decisão.
Os professores da área reuniram-se, ontem à tarde, na sede do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), para discutir o assunto. E como saldo do encontro, segundo Idelma Corral, diretora da entidade, ficou decidido que os docentes e sindicalistas tentarão o agendamento de uma reunião com a secretária de Educação, Ana Daibem, para discutir a possibilidade de diminuição dos dias trabalhados.
“Historicamente, sempre houve recesso em julho com suspensão das aulas e, às vezes, havia cursos. Mas, após a imposição dos 200 dias, basta percorrer as escolas para constatar a baixa freqüência, pois é um período que os pais passam com as crianças”, justifica Corral.
Apesar disso, segundo Márcia Zwicker Di Flora, diretora do departamento municipal de Educação Infantil, dificilmente haverá diminuição do calendário. “É muito difícil a secretária de Educação voltar a um calendário mínimo de 180 dias como anteriormente. Não tem como reverter quando se pensa em qualidade”, salienta.
Já sobre a baixa demanda nas Escolas Municipais de Educação Infantil Integrada (Emeiis), as antigas creches, durante julho, Flora ressalta que o mais importante é garantir o serviço à comunidade. “A questão é a escola estar aberta para servir à população, pois é uma reivindicação da comunidade ter um espaço para que possam deixar seus filhos. Para nós interessa ter esse espaço aberto para atender a população”, enfatiza.
A diretora destaca, ainda, que a elevação dos dias letivos teve como objetivo melhorar a qualidade do atendimento. “Se considerarmos que a criança da educação infantil fica três horas e meia com os professores, sendo meia hora em atividades recreativas e meia hora para lanche, sobram duas horas e meia para se trabalhar os conteúdos das áreas do conhecimento. E em 180 dias, se pensarmos em uma escola de qualidade, é muito pouco”, diz Flora.
Por fim, a diretora argumenta que os professores também têm garantidos o direito de 45 dias de férias. “É a única categoria que tem direito a esse tempo distribuídos nos períodos de recesso. Como fizemos para garantir esse direito? Estabelecendo 30 dias em janeiro junto com 7 ou 8 dias no mês de dezembro e outros 7 ou 8 dias no mês de julho. Estamos atentos não só aos deveres, mas também aos direitos desses profissionais”, conclui.