Tóquio - As autoridades do Japão confirmaram ontem o fechamento da central nuclear de Kashizawaki, a maior do mundo, cuja segurança está sendo questionada depois que o violento terremoto da última segunda-feira provocou vazamentos radioativos. “De acordo com a legislação contra incêndios, é difícil autorizar a exploração da central levando-se em conta a situação. Ordeno que parem de utilizá-la”, declarou o prefeito ao diretor da companhia Tokyo Electric Power (Tepco), que explora o complexo nuclear.
Na Malásia, o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, afirmou ser decisiva uma revisão completa e ofereceu a ajuda da agência junto com especialistas internacionais. “Não significa que a estrutura ou o sistema do reator foram danificados”, disse El Baradei. “Eu espero e confio que o Japão seja totalmente transparente em suas investigações do acidente. A agência está pronta para se unir ao Japão em uma equipe internacional para rever o acidente e determinar as lições necessárias.”
O presidente da Tepco, Tsunehisa Katsumata, vestido com o quimono azul de trabalho dos empregados, se prostrou diante do prefeito e apresentou “desculpas profundas por ter provocado preocupação e problemas imensos”. Katsumata também visitou a central nuclear durante uma hora.
Embora tenha destacado que os reatores nucleares não sofreram nenhum problema grave, o diretor afirmou que “sem dúvida, o choque foi maior do que o limite de resistência previsto na época da construção”.
A central de Kashiwazaki-Kariwa se localiza apenas a 9 quilômetros do epicentro do primeiro tremor de terra de segunda, que atingiu 6,8 pontos na escala Richter, um dos mais violentos dos últimos anos no Japão. Também ontem, a Tepco revelou que não foram 100, mas sim cerca de 400 recipientes contendo resíduos tóxicos da usina nuclear que foram derrubados pelo terremoto. Além disso, a empresa já encontrou ao menos 50 pontos de mal funcionamento na usina após os terremotos.
O primeiro tremor também causou incêndio na usina, seguido por um vazamento inicial de água contendo materiais radioativos no mar do Japão. Além disso, a Tepco informou que houve emissão acidental de cobalto-60 e cromo-51 (radioativos) da usina para a atmosfera, mas não se sabe a razão. Quatro dos sete reatores da usina estavam em funcionamento quando o primeiro terremoto atingiu o Japão, e todos foram fechados automaticamente por um mecanismo de segurança antitremores.
Ainda ontem, equipes de resgate encontraram o corpo de mais uma vítima dos dois terremotos que atingiram ontem a costa oeste do Japão, elevando para dez o número oficial de mortos. O corpo encontrado ontem, de um homem de 76 anos, estava sob os escombros de um templo em Kashiwazaki, a cidade mais afetada pelo primeiro terremoto. Todos os mortos teriam mais de 70 anos e morreram em conseqüência de ferimentos, a maioria após o desabamento de suas casas, informou um porta-voz da polícia local.
Os tremores desta semana deixaram mais de 900 feridos nas províncias de Niigata e Nagano e ao menos 10 mil pessoas retiradas de suas casas. O primeiro terremoto, de 6,8 graus na escala Richter, também causou o vazamento de pequena quantidade de água com materiais radioativos de uma usina nuclear japonesa, sem ameaçar o ambiente. O segundo terremoto registrou entre 6,6 e 6,8 graus.