Economia & Negócios

Juro menor favorece crédito consignado, diz economista

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Com tantas quedas nas taxas de juros sendo anunciadas nos últimos meses, muitas pessoas se perguntam se este é o momento ideal para fazer financiamentos ou para ir às compras. A resposta de especialistas do mercado é de que, caso o último corte da taxa Selic (que anteontem caiu para 11,5% ao ano) seja completamente repassado ao mercado, haverá um pequeno barateamento na concessão de crédito ao consumidor. Mesmo assim, a conta ainda será alta.

De acordo com o professor e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon) Reinaldo Cafeo, o crédito consignado - empréstimo com desconto feito diretamente no salário do trabalhador - está entre as modalidades mais beneficiadas com a redução das taxas de juros. Entretanto, continua sendo indispensável a atitude de analisar com calma a opção de fazer um empréstimo para não comprometer a renda mensal.

“Toda vez que você tiver uma combinação de garantia com uma boa análise cadastral, a tendência é de queda nos juros. Isso ocorre, por exemplo, com o crédito consignado, porque como o desconto é feito diretamente no salário do trabalhador (folha de pagamento da empresa empregadora que é cliente do banco em questão), o risco para o banco é muito pequeno”, observa.

Mesmo assim, o economista analisa que da atual variação de 1,25% a 3% ao mês nas taxas de juros cobradas pelas instituições financeiras nessa modalidade, os novos patamares passem de 1,23% a 2,85% ao mês. “Porém, uma queda de 0,1 (ponto percentual) no crédito consignado é muito mais significativa proporcionalmente do que no cheque especial, que tem juros mensais de 7%, 8%”, ressalta.

“A queda é pequena porque o corte da Selic foi de 0,5 ponto percentual ao ano. Então, para o consumidor final esses reflexos são lentos. Por outro lado, para o mercado isso é uma sinalização importantíssima, pois mostra que a economia do País vai bem, que está no caminho certo”, acrescenta Cafeo.

Simulações

Em algumas simulações feitas pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) fica fácil perceber como são lentos os reflexos das quedas dos juros ao consumidor final. Num crediário de loja, ao comprar em 12 parcelas uma geladeira que no pagamento à vista custaria R$ 800,00, o cliente terá uma incidência de 5,97% de juros ao mês. Desta forma, cada parcela seria de R$ 95,26, que no final somariam um desembolso de R$ 1.143,12.

Fazer um empréstimo de R$ 1 mil em um banco e se comprometer a pagar em seis meses resultará em parcelas de R$ 198,97 - juros mensais de 5,31%. No final, o banco receberá R$ 1.193,82.

Comprar um veículo de R$ 25 mil financiado em 60 meses com taxa de 3,09% ao mês renderá parcelas de R$ 920,81. Total da conta: R$ 55.248,60.

Fazer um empréstimo de R$ 500,00 em uma financeira para pagar em 12 vezes, com juros de 11,35% ao mês, resultará em parcelas de R$ 78,30. Quando quitar a operação, o consumidor terá pago R$ 939,60 ao todo.

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