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Transporte gratuito é um dos direitos

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A prefeitura de Bauru já oferece passes de ônibus circular para os moradores de baixa renda que se tratam no Centrinho. Mas, para a maioria dos pacientes da unidade - que são de outras cidades e Estados -, a situação é complicada. O tratamento em muitos casos é intensivo e as pessoas precisam se mudar para Bauru ou viajar freqüentemente. Nesses casos, o reconhecimento da fissura como deficiência pode ajudar muito. Ou mesmo, transformar uma vida, como a de Normelita Silva Souza, 24 anos, de Anápolis (GO).

Desde setembro do ano passado, ela faz tratamento intensivo no Centrinho. Porém, a jovem só teve acesso ao tratamento quatro anos depois de conhecer o trabalho do hospital.

Ela conta que quando nasceu, o médico que fez o parto não contou para sua mãe que ela tinha fissura de palato. “Ela só ficou sabendo porque viu quando chegou em casa”, conta. Em seguida, Souza passou por várias cirurgias em Goiânia. Mas, com sérios problemas para se comunicar, ela nunca teve acesso ao tratamento com fonoaudiólogos. “Os que atendiam gratuitamente, não tinham conhecimento de como tratar uma pessoa com fissura labiopalatal. A médica particular cobrava muito caro e meus pais não tinham condições de pagar”, lembra.

As dificuldades foram aumentando. “Não conseguia emprego. As empresas me chamavam pelo currículo, mas na hora da entrevista, não me contratavam”, revela. Há quatro anos, Souza conheceu o trabalho do Centrinho e vislumbrou a oportunidade de finalmente conseguir tratamento gratuito. Mas como a fissura não é considerada deficiência física, ela não conseguiu transporte gratuito, nem ajuda de custo para permanecer em Bauru. Só no ano passado ela chegou à cidade, de mudança.

Se em 2003, quando conheceu o Centrinho, ela tivesse iniciado o tratamento, sua vida seria diferente. “Eu teria conseguido entrar numa faculdade, já teria um emprego, estabilidade”, imagina. Por isso, ela é favorável à proposta de reconhecer a fissura como deficiência física. “Para que pessoas não precisem adiar o tratamento, como eu”, diz.

Os pais e os dois irmãos ficaram em Anápolis. Eles só se falam nos finais de semana, quando as ligações ficam mais em conta. “Tem que ter muita força de vontade. Fazer o tratamento longe da família, deixa a gente muito vulnerável”, revela. Souza está hospedada na Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio-Palatal (Profis), onde também toma café da manhã e lancha, mas o almoço é por cota da jovem, que recebe ajuda dos pais.

Atualmente, ela já consegue se comunicar com bastante clareza. “Melhorei mais de 80%”, calcula. As sessões com as terapeutas ocupacionais também já renderam frutos. A dificuldade com a fala fez Souza adiar o sonho da faculdade, por medo de falar em público. Agora, ela garante que assim que terminar o tratamento, no final de agosto, vai tentar uma faculdade de direito.

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Fissura labiopalatal

Fissura labiopalatal é uma abertura na região do lábio e ou palato, ocasionada pelo não fechamento destas estruturas, o que ocorre entre a quarta e a 12.ª semana de gestação. As fissuras podem ser unilaterais ou bilaterais e variam desde formas mais leves como cicatriz labial ou úvula bífida até formas mais graves, como as fissuras completas de lábio e palato.

Por vezes, podem ocorrer fissuras atípicas que envolvem outras áreas além do lábio superior e palato, como a região oral, nasal, ocular e craniana.

Fonte: Centrinho

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