Policiais de Bauru estão em alerta. O número de assaltos a ônibus circular subiu drasticamente nos últimos dois meses. De janeiro a maio, foram registrados 23 roubos aos ônibus que fazem o transporte coletivo da cidade. Em junho, foram 12 e neste mês, até anteontem, 13 assaltos tinham sido registrados. Anteontem, uma policial militar à paisana foi ferida na tentativa de prender um assaltante. Tanto para a Polícia Civil quanto para a Militar, os assaltos estão sendo cometidos por apenas duas ou três pessoas.
Isso porque os casos são concentrados em algumas regiões da cidade e as vítimas dão descrições semelhantes dos autores. O assaltante que tem atuado na região da Pousada da Esperança, Vila Santa Luzia, Jardim Flórida e Núcleo Beija-Flor, por exemplo, é descrito como um rapaz entre 23 e 25 anos, medindo entre 1,75 metro a 1,80 metro, moreno, de cabelo curto e que costuma usar boné e ameaça os motoristas ou cobradores com uma faca. O assaltante age sozinho e, geralmente, de quinta-feira a sábado, durante a noite.
De acordo com o major Nélson Garcia Filho, subcomandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), policiais à paisana, homens da Força Tática e da 4ª Companhia estão empenhados em capturar o assaltante. Com base nas características físicas descritas pelas vítimas, eles fazem patrulhamento visando encontrar o ladrão.
Na noite de anteontem, uma policial feminina estava à paisana num ônibus circular, quando um rapaz, com as características descritas pelas vítimas, anunciou o assalto. A policial tentou prender o ladrão, mas foi agredida com um soco na boca, conforme o JC informou na edição de ontem.
O motorista Reinaldo Rosa Pereira, 50 anos, 22 dos quais conduzindo coletivos, conta que foi assaltado apenas uma vez em mais de duas décadas. “Mas o meu filho, que é cobrador, foi assaltado ontem (anteontem). Um colega meu, que faz a linha Nobuji Nagasawa, já foi assaltado duas vezes”, conta.
Ontem à tarde, a reportagem conversou com cerca de dez motoristas. Apenas um não tinha sido assaltado enquanto trabalhava. “É mais molecada que faz isso. A gente conversa com os colegas e todos falam a mesma coisa. A gente nem se assusta mais”, conta Pereira.
Reunião
Por iniciativa da Polícia Civil, foi realizada ontem uma reunião entre representantes das empresas de ônibus circulares de Bauru e o delegado Ricardo Silva Dias, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), com o objetivo de unir forças visando coibir os assaltos a ônibus.
Segundo Dias, o primeiro passo é ajustar a conduta de motoristas e cobradores para auxiliar a atuação da polícia na investigação dos casos e na prisão de envolvidos com os crimes. O foco de orientação, segundo Dias, é a investigação, especialmente com relação ao reconhecimento dos autores dos delitos.
O delegado salientou que a alternativa para esclarecer roubos a ônibus é o reconhecimento dos autores. “Isso porque eles não deixam nenhum tipo de vestígio”, destacou. Os bens roubados geralmente são dinheiro e passes de ônibus, que são rapidamente consumidos por quem comete o roubo.
“Dificilmente você vai encontrar qualquer objeto que relacione a pessoa à prática do crime. Então, é fundamental que os motoristas e cobradores colaborem com a polícia e, de nossa parte, garantir que eles possam fazer esse reconhecimento da maneira mais segura possível”, disse.
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Prisão
Para que motoristas e cobradores não temam represália ao fazer o reconhecimento de ladrões, a polícia sugeriu às empresas que operam no transporte coletivo de Bauru a transferência dos funcionários de linha quando eles forem vítimas de assalto. As empresas de ônibus informaram que a prática já é adotada.
Porém, os representantes das empresas solicitaram que os motoristas e cobradores que tenham de prestar depoimento no Fórum em processos de roubos possam fazê-lo sem a presença do acusado do crime. De acordo com o delegado Ricardo Dias, a intenção é que os profissionais tenham confiança na polícia e que possam fazer o reconhecimento sem medo de possíveis represálias por parte de envolvidos com os crimes.