Ao longo dos últimos dez anos, vimos ele entrar para a escola, adolescer, dar seu primeiro beijo, enfrentar demônios internos ou bem palpáveis, a uma varinha de condão de distância. Agora, o destino de Harry Potter está selado, em caixas contendo impressionantes 24 milhões de exemplares de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, sétimo e último livro da série de J.K. Rowling, que será oficialmente lançado à 0h01 de amanhã, horário de Londres.
Em São Paulo, o título original, em inglês, também estará à venda, a partir das 20h de hoje. Depois da avalanche de supostas reproduções do livro, que circularam desde terça-feira na Internet, resta aos fãs da saga confirmarem se são verdadeiros ou não os “spoilers” (estraga-prazeres). A principal dúvida é: o bruxo morre?
Ontem, a crítica literária do jornal “New York Times” Michiko Kakutani furou o embargo da editora e - “Estupefaça!”- revelou que seis personagens morrem. Entre os fãs, as especulações incluem não só Harry mas também seu melhor amigo, Ron Weasley, o vilão Lorde Voldermort e o ambíguo professor Severo Snape.
Os seis livros anteriores deixaram outras questões no ar. Roberto Uebel, editor do site Potterish, lista as principais dúvidas: Hermione fica com Ron? Gina, irmã de Ron, casa-se com Harry? Snape é traidor? Quem é R.A.B. (o misterioso personagem que apareceu no sexto livro)? E, por fim, Dumbledore realmente morreu?
“Alguns arriscam dizer que Harry fica vivo, e Voldemort morre. Outros já dizem ao contrário, que Voldemort mata Harry Potter, para que não haja uma futura continuação”, diz Uebel, com alguma esperança de que a série não acabe agora. “Na segunda-feira retrasada, Rowling deu um pontinho de esperança dizendo ‘nunca diga nunca’, referindo-se a um abaixo-assinado realizado por uma livraria americana, pedindo que ela escrevesse um oitavo livro. Alguns fãs que leram o suposto sétimo livro afirmam que com certeza haverá uma continuação, pois só faltam as reticências no fim. Acredito que haverá mais algum livro sim.”
‘Bombarda máxima’
Poucos dias antes do lançamento oficial, o caprichado esquema de segurança das editoras Bloomsbury (Reino Unido) e Scholastic (EUA) acabou indo pelos ares. A Scholastic está acusando a loja virtual DeepDiscount.com e o distribuidor Levy Home Entertainment de já terem entregue 1,2 mil cópias do livro. Um destes exemplares, ao que parece, estava sendo ofertado até hoje no site eBay por US$ 250,00 (cerca de R$ 465,00). Para entrega imediata.
Também pode ter vindo do lote americano a cópia que circulou na Internet. Nem as editoras nem Rowling confirmaram a autenticidade, mas a autora pode ter entregue o jogo ao pedir, em seu site, que os fãs ignorem as informações e assim preservem “o segredo da trama para aqueles que estão na expectativa de ler, ao mesmo tempo, no dia da publicação”.
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Conjunto da obra
No Brasil, onde a versão em português sai no dia 10 de novembro, a tradução está de novo a cargo de Lia Wyler. A tradutora arrisca uma avaliação da obra de Rowling. Ela diz que a autora deixou claro, desde o livro 2, que pretendia aumentar o nível de dificuldade a cada novo volume, acompanhando o crescimento do herói e o amadurecimento dos leitores. “O fato de a série ter conquistado um público de seis a 60 anos veio não somente acelerar esse processo como indicar a necessidade de incluir cenas e comentários mais ao gosto adulto. E ancorar as incursões dos bruxos ao mundo externo a Hogwarts, na atualidade informativo-jornalística”, diz Wyler.
O sexto livro seria exemplar dessa preocupação de Rowling. “Nele, os ingleses reconheceram o seu primeiro-ministro, sua gagueira, suas perplexidades. Sem dúvida a autora apurou sua técnica folhetinesca, mas isso não significa necessariamente que tenha buscado uma sofisticação maior do ponto de vista literário.”