Economia & Negócios

Projeto vai traçar mapa do emprego

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Em Bauru e cidades da região, de cada 100 vagas de trabalho lançadas no mercado, apenas 30 são preenchidas. O motivo é a baixa qualificação profissional da mão-de-obra, segundo o prefeito Tuga Angerami. A informação é baseada em estatísticas da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho (Sert). Ou seja, a falta de qualificação continua sendo um dos principais problemas do País, e não é diferente na região.

O principal problema é identificar onde estão os empregos que exigem qualificação e promover ações que facilitem o acesso do trabalhador a essas oportunidades. Com esse objetivo, a Sert está promovendo a “Caravana do Trabalho”, projeto que visa buscar informações sobre a empregabilidade e a necessidade de mão-de-obra qualificada nas regiões, microrregiões e municípios em todo o Estado de São Paulo. A caravana, que vai percorrer todas as regiões administrativas do Estado, esteve em Bauru ontem e reuniu prefeitos e secretários dos 39 municípios da região.

O diagnóstico será feito pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), que já trabalha com dados voltados para a questão do emprego e do trabalho. De acordo com o assessor técnico Alexandre Loloian, será um trabalho importante para apontar os caminhos que devem ser seguidos para resolver os problemas de emprego no Estado.

Loloian aponta que, no Interior, a taxa de desemprego é menor do que na Capital. A região de Bauru está em uma posição intermediária, entre Campinas - que tem a menor taxa de desemprego no Estado - e a região de Registro, que detém a maior taxa. Segundo o assessor, não seria possível fornecer os números porque ainda não foram divulgados, mas ele afirmou que Bauru e região estão, senão em situação confortável, pelo menos estabilizada.

Dados do Ministério do Trabalho e Emprego e da própria Fundação Seade mostram que houve crescimento de 3,8% no número de empregos formais na região entre 2005 e 2006. O total de trabalhadores com carteira assinada cresceu de 227.724, em 2005, para 236.265 no ano seguinte. “Bauru é um centro regional importante que estimula a massa de serviços e pequenas indústrias”, disse Loloian.

Especificamente na cidade de Bauru, de janeiro a junho deste ano o saldo (diferença entre as admissões e desligamentos de trabalhadores) do emprego formal foi de 2.938, contra 1.290 no mesmo período do ano passado - aumento de 128% em 2007.

Qualificação

Apesar dos números serem considerados razoáveis em um País onde o emprego com carteira assinada é artigo de luxo, o secretário estadual do Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, acredita que a situação pode melhorar se houver investimentos na qualificação profissional.

A idéia do projeto é justamente saber quais as necessidades de cada região. “A caravana é um diagnóstico ao vivo para saber quais as necessidades para qualificação”, apontou o secretário.

Segundo ele, a qualificação profissional é um dos itens mais importantes relacionados a políticas públicas de geração de emprego e renda. “Se não estiver qualificado, o trabalhador simplesmente não serve para o mercado de trabalho”, afirmou.

De acordo com ele, cada município tem uma realidade, por isso o diagnóstico será fundamental para identificar as demandas. A Fundação Seade vai levantar todos os dados de emprego e qualificação profissional.

Afif destacou que os investimentos feitos por órgãos públicos em cursos de qualificação profissional acontecem sem que haja um mapeamento que aponte as demandas de mão-de-obra. Ou seja, existe a necessidade de uma pesquisa que forneça três respostas básicas: ocupações necessárias, em que quantidade e em qual localidade.

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Sincronismo

O prefeito Tuga Angerami destacou a importância da Caravana do Trabalho para Bauru e região e apontou que a realização de um diagnóstico da demanda, relacionando vagas de emprego à qualificação de mão-de-obra, é fundamental para atingir os gargalos formados nos municípios devido à falta de qualificação profissional.

Ele ressaltou que a informação é a base para que os governos estadual e municipal possam, cada um dentro de sua competência, promover ações que visem melhorar as condições atuais dos trabalhadores. Para Tuga, a Fundação Seade vai conseguir apontar os dados com precisão. “Espero que as caravanas ajudem a organizar as informações para poder planejar as intervenções”, destacou.

Ele frisou que é preciso saber para que lado caminham a expansão e o desenvolvimento regional para preparar a mão-de-obra. De acordo com o prefeito, há falta de sincronismo entre as duas coisas, ou seja, sem o diagnóstico, há expansão sem controle de determinado segmento, o que em vez de ajudar, prejudica.

“Tem que andar pari passu (simultaneamente), o desenvolvimento econômico com a oferta de mão-de-obra, senão vai ter que buscar (trabalhador) de fora e os daqui ficam desempregados”, salientou.

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