Mulher

O bonito do Brasil

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 4 min

Brilhantes e cheias de uma dominação fascinante, as jóias e semijóias geram paixões e desejos, especialmente entre as mulheres. O diamante e seu brilho eterno, por exemplo, já foi considerado prova de amor e, ainda hoje, é difícil encontrar uma ‘senhorita’ que não goste de um presente como um colar ou um solitário que detenha essa pedra.

Mas nem só de rubis e esmeraldas vive a joalheria, as chamadas gemas ‘semipreciosas’ conquistam cada vez mais espaço nos dedos, orelhas, pulsos e pescoços. Na verdade, essas pedras também são preciosas e se mostram em uma gama de cores que vai do amarelo ao incolor recheado de riscos negros ou com variações em dourado e prateado, entre outros.

Muitas gemas de cor intensa são extraídas exclusivamente de minas brasileiras e, de alguns anos para cá, essas pedras vêm sendo empregadas em peças por designers brasileiros. Em 2005, por exemplo, aconteceu o ‘boom’ que aliava as gemas às fibras naturais e aos cocos, por exemplo. E acompanhando as novas tendências e experimentações, o design brasileiro de jóias foi aparecendo no Exterior.

Adeguimar Arantes, designer de jóias, começou a viver as jóias na oficina de seu pai e em 1985 iniciou seus estudos de joalheria. Ela, que passou pelo Centro de Gemologia de Goiás, referência na área, vê a ascendência da criação brasileira de jóias nos mercados externos como a paixão futebolística. “Assim como o futebol, o design é constantemente alimentado por talentos que saem das universidades, das escolas profissionalizantes e até mesmo das periferias”, afirma Adeguimar.

Segundo a designer, o Brasil vai continuar na moda, bem como seus materiais e criações. “Enquanto os materiais forem ofertados com qualidade, responsabilidade social e sustentebilidade e as peças continuarem sendo calcadas em um caráter artístico há mercado”, completa.

Por sua vez, a designer de jóias há 14 anos Patrícia MB Gotthilf acredita que a exclusividade dos materiais brazucas também ajuda a segurar a jóia brasileira entre as mais belas e disputadas do mundo. Patrícia aposta no exótico das pedras e na madeira, coco, jarina, capim dourado além dos metais nas versões ouro, prata e cobre como componentes das vitrines das joalherias.

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Brasil das Jóias

“Houve um período em que se vendiam no Brasil muitas jóias de fora, o que foi extremamente prejudicial para as indústrias e os produtores brasileiros. As jóias eram vendidas diretamente ao cliente final e isso ampliou a informalidade. Hoje, a joalheria brasileira está tomando novo rumo e com maturidade suficiente para mudar trajetos e se adaptar às novas realidades”, afirma a designer de jóias Adeguimar Arantes.

É, parece indiscutível a paixão do mundo pelas criações brasileiras. Na área, atualmente, é grande o número de designers atuando, inclusive profissionais da área da moda, como a consultora de moda Constanza Pascolato, que assinou uma coleção para a H. Stern. Também do mundinho fashion para o brilho de pedras e metais entrou o estilista Alexandre Hertchcovitch. Ele assinou, há pouco tempo, uma coleção com 28 peças para a marca Dryzun, sem deixar para traz suas indefectíveis caveiras. E dá-lhe o mundo conhecendo o que é que o Brasil tem!

Antes mesmo dessa febre da joalheria nacional, alguns designers brasileiros já traçavam os rumos do design das jóias brasileiras: Bobby Stepanenko e Caio Mourão são alguns nomes. O interessante é que se olharmos uma peça de Stepanenko ou Mourão avaliaremos que ela continua atual.

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Sangue novo na joalheria

Modernas e atuais, clássicas e sofisticadas. Diferentes são os apelos que levam ao consumo de uma jóia. O design e a moda aliados à força simbólica do produto, seja ela social, cultural ou psicológica, estão no topo da lista de motivadores. Os valores agregados às peças aumentam o interesse pelo produto e fazem girar a economia. E é fato que hoje o segmento joalheiro é direcionado ao consumidor que valoriza o design e o alinhamento com a moda.

Assim as jóias, supérfluas para alguns, ganham significados frente à moda e acabam por se tornar ícones da identidade do indivíduo que as usa. Acreditando nisso, o consumo cresce, aumenta o número de profissionais no mercado e as jóias, assim como as roupas, comunicam. Daí a importância da busca de uma identidade brasileira em seus materiais e formas.

Adeguimar Arantes e Patrícia MB Gotthilf fazem parte dessa escola de designers brasileiros. “Luz e sombra, positivo e negativo, textura e polido. Esses contrastes me inspiram”, diz Patrícia. Por sua vez Adeguimar aposta em seu mundo, nos recursos naturais de Goiás e sua cultura e traços étnicos, como os Karajás, os Kalungas e os Cerratenses.

“Aplico nas jóias femininas as iconografias, etinografias e fotografias estilizadas dos povos do cerrado, seus utensílios, artesanato e riquezas naturais. Foco num tema para coleção e busco o necessário para ter uma jóia única, absolutamente inédita. Associo também técnicas de outros artesãos em fibras naturais, tear, macramé, etc. Prefiro sempre materiais renováveis, material reciclável, pedras preciosas brasileiras, metais nobres e um toque orgânico uma jóia com vida, conceito e beleza” , explica Adeguimar.

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