Não são somente os indicativos de boa localização estadual, de posição longe do perímetro urbano e do fator Cindacta em relação ao controle de tráfego aéreo que colocam o aeroporto Moussa Tobias em vantagem em relação à instalação de um futuro terminal de cargas na comparação com o de Ribeirão Preto. O custo de implantação do terminal no aeroporto Leite Lopes (em Ribeirão) é estimado em R$ 128 milhões, quase cinco vezes mais do que os R$ 26 milhões orçados para o mesmo projeto em Bauru. Pelo menos 1.800 imóveis precisam ser desapropriados em Ribeirão para concretizar as obras. Se a análise for apenas técnica e não político-partidária, como costuma ser, Bauru reúne, inegavelmente, melhores condições.
A informação está em anexos de documentos do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) por intermédio do relatório de impacto ambiental realizado a pedido do Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) para balizar a discussão dos investimentos naquele aeroporto. O custo de implantação do terminal em suas duas etapas em Ribeirão está orçado em R$ 128 milhões, mais do que dobro dos cerca de R$ 60 milhões empregados através do próprio Daesp para instalar e inaugurar o novo aeroporto de Bauru.
E é exatamente sobre as vantagens operacionais e financeiras que as autoridades locais estão atuando para demonstrar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que “Bauru não se opõe a qualquer investimento estratégico em Ribeirão Preto, mas quer exercer o direito de demonstrar que o aeroporto Moussa Tobias reúne excelentes condições físicas e operacionais, inclusive de custos, para pleitear também os investimentos nesta área, como alternativa estratégica e mais viável no combate ao estrangulamento do tráfego aéreo no Brasil”, sustenta o ofício.
O documento foi encaminhado à Anac por uma comitiva de Bauru, através do deputado federal José Paulo Tóffano (PV), do prefeito Tuga Angerami, do presidente da Câmara, Paulo Madureira (PP) e do vereador João Parreira (PSDB), representando o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB).
As informações que compõem o relatório seriam debatidas na audiência pública marcada para o último dia 19, às 17h, no Centro de Convenções de Ribeirão Preto. Mas a tragédia com o avião da TAM, no aeroporto de Congonhas, levou o órgão estadual a cancelar o edital, temendo que o estado emocional provocado pelas mortes “contaminasse as discussões”. A audiência, cujo tema é a relação do impacto ambiental lançado no EIA/Rima para a “ampliação do aeroporto Leite Lopes”, conforme previsto no edital, será realizada em outra data, ainda a ser divulgada.
Mas enquanto se espera a audiência, a assessoria de imprensa do Daesp confirmou os dados enviados ao deputado estadual Pedro Tobias, que informam que o custo para instalação do terminal de cargas no aeroporto de Bauru é de R$ 26 milhões, sendo R$ 12,5 milhões para ampliação da pista atual de 2.100 metros para 2.700 metros, cuja previsão de obra já conta com licença ambiental prévia aprovada, e readequação e reforço da pista, ampliando a capacidade de carga para 64 toneladas.
A questão é que o relatório apresenta que apenas para a etapa inicial de adequação do aeroporto de Ribeirão Preto para o já homologado terminal de cargas são exigidos pelo menos R$ 95 milhões. O custo de adequação e ampliação da pista previsto para Ribeirão Preto é próximo do de Bauru, situado em R$ 26,5 milhões no EIA/Rima, contra R$ 25,9 milhões do estudo para o aeroporto Moussa Tobias.
Mas o valor do investimento necessário para Ribeirão Preto explode em razão da urbanização do entorno. Conforme o relatório, apenas para desapropriações seriam necessários R$ 47,6 milhões. A maior parcela do custo está definida para uma faixa de terreno na rua Americana, em uma área ocupada de 503 mil m2 que cotados a R$ 41,25 o m2 exigiria R$ 20,7 milhões em indenizações para a desocupação.
Mas outros R$ 19,9 milhões seriam necessários apenas para permitir a ampliação da pista atual do aeroporto Leite Lopes, em uma área de 483 mil m2. Entretanto, apenas a primeira etapa para viabilizar o terminal de cargas em Ribeirão Preto pede outros R$ 21,1 milhões para obras de arruamento externo, redes de água e energia elétrica, módulo de seção contra incêndio e acessos.
A ampliação do terminal de passageiros atual e demais obras do complexo totalmente urbanizado ao redor do aeroporto de Ribeirão Preto elevam a previsão de custos para R$ 128.508.644,00 até a etapa final, conforme o documento obtido pelo JC que será objeto de discussão na audiência pública. Além desse fator, o aeroporto de Bauru não teria dificuldades em razão da ampla área do entorno protegida - de mais de 400 hectares contra pouco mais de 130 hectares em Ribeirão Preto -, com garantias de não construção já previstas no Plano Diretor.