Antes de investir na formação de novos atletas e de cidadãos ecologicamente corretos, o Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips) já oferecia diversos cursos que permitiam aos jovens e crianças pobres de Bauru se capacitar profissionalmente.
O trabalho com os menores carentes teve início nos anos 60, com o nome de Reco Reco. Em 1970, a entidade adotou a denominação que possui até os dias atuais e passou a oferecer cursos técnicos profissionalizantes aos alunos nas áreas de carpintaria, marcenaria e costura.
De lá para cá, mais de 40 mil pessoas já passaram pelas salas de aula da instituição. Em 2006, acompanhando as transformações da economia, o Cips passou a disponibilizar cursos nas áreas de telemarketing, secretariado, atendimento ao público e hotelaria.
Ontem de manhã, todos os convidados que chegavam para assistir à cerimônia de inauguração do complexo Esporte/Ecologia eram recepcionados pelas próprias alunas da entidade. Sorriso hospitaleiro no rosto, as jovens eram capazes de passar aos visitantes todas as informações que eles pudessem necessitar.
Uma das recepcionistas do evento, a estudante Bianca Moura, já conseguiu até arrumar emprego por intermédio do Cips. Nos últimos três anos, ela participou de praticamente todos os cursos profissionalizantes oferecidos pela entidade.
Agora, porém, prestes a atingir a maioridade, Bianca terá de deixar a instituição. É que para poder freqüentar o Cips, os jovens precisam ter entre 7 e 17 anos de idade. “Estou meio angustiada por ter de sair. Afinal, este lugar é a minha segunda casa”, lamentou.
Em dezembro, Bianca deixará de participar do dia-a-dia de uma instituição que já chegou a figurar na lista das 400 melhores entidades beneficentes do Brasil.
Ano passado, as iniciativas do Cips foram incluídas pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Seads) entre as 23 boas práticas de ação social em São Paulo.
“Para nós, é um orgulho ver que nosso trabalho está sendo reconhecido. Isso certamente ajudará a resgatar a auto-estima de Bauru, sobretudo agora, que o município passa por tantas dificuldades”, acredita o presidente do Cips, João Carlos Previdello.