Regional

Jaú vence batalha pró-produtos do Brasil

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O setor calçadista brasileiro conquistou uma importante vitória na última semana. Conseguiu a aprovação de todos os sócios do Mercosul para elevar a tarifa de importação de sapatos chineses de 20% para 35%. A reserva de mercado foi influenciada pelo valor baixo do dólar, que castiga o segmento nas exportações. Comemorações à parte, a vitória só vai ter algum reflexo no mercado nacional se vier acompanhada de fiscalizações rigorosas tanto da Polícia Federal quanto do Ministério da Fazenda, avisa o diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) e presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados (Sindicalçados) de Jaú, Caetano Bianco Neto.

Para ele, a batalha para aumentar a alíquota sobre os calçados da China pode ser comparada à vitória de Pirro – termo usado por advogados para intitular uma vitória difícil, mas que o resultado é quase nulo. “Os integrantes do Mercosul já tinham aprovado uma alíquota de 35% para outros produtos e agora adotaram também para o calçado. O problema é que a alfândega não consegue fiscalizar e os chineses burlam”, explica Bianco Neto.

Toda tarifa externa tem de ser aprovada pelo Mercosul. Para passar a alíquota para 35% e aplicá-la a todos os produtos vindos da China, foi uma batalha. O último país a homologar foi o Uruguai. A medida deve entrar em vigor na próxima semana.

A nova alíquota só irá surtir o efeito esperado se estiver acompanhada de outras medidas do governo federal, avalia Bianco Neto. “A Polícia Federal precisa fiscalizar o contrabando e o Ministério da Fazenda a tributação dos produtos. A China exporta sapato que custa US$ 10 e declara que o produto vale US$ 2.”

O representante da classe calçadista de Jaú defende a reserva do mercado nacional. “Não temos como competir com eles. Para competir, teríamos de ter as mesmas armas dos adversários. O produto chinês é fabricado com mão-de-obra escrava, eles não respeitam o meio ambiente. No Brasil nenhuma fabriquinha de fundo de quintal consegue funcionar sem licença da Cetesb. A mão-de-obra é sete vezes mais cara que a deles. Eles não têm juros nem impostos. Se a gente tiver condições iguais a deles, eu não tenho dúvida que a nossa indústria será mais competente”, afirma o dirigente.

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China da Itália

Os países com superpopulação fabricam sapatos. Isso acontece na China, Índia, África e dentre outros. “A gente discute muito em congressos. É uma coisa que vai acontecer sempre, isso aconteceu com o Brasil durante uma época. Fomos a China da Itália”, explica o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados (Sindicalçados) de Jaú, Caetano Bianco Neto.

Bianco Neto arrisca a fazer contas redondas para retratar a situação mundial do setor. “O mundo consome 15 bilhões de pares de sapatos por ano. A China produz 10 bilhões e cresce 10% ao ano. Em cinco anos ela vai produzir todo o sapato consumido no mundo. O que nós temos que fazer primeiro é proteger o mercado interno”, defende.

Ao proteger o mercado nacional, segundo o representante das indústrias de Jaú, o Brasil estará resguardando as vagas de trabalho no segmento. “A cadeia produtiva do couro e calçados que vai desde o primeiro elo, que é a pecuária, até o lojista, empregamos mais de 1 milhão de pessoas. Se o governo deixar entrar produtos chineses dessa maneira, nós vamos perder essas vagas”, afirma.

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Reflexos

Para presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados (Sindicalçados) de Jaú, Caetano Bianco Neto, é difícil mensurar a porcentagem da participação de sapatos chineses no mercado nacional. “Porque grande parte do produto entra através de contrabando. Para as empresas de Jaú, a influência do aumento da alíquota é insignificante porque os chineses fabricam e exportam sapatos masculino, esportivos e infantis. Como o sapato feminino acompanha a moda, que é muito dinâmica, mas a logística deles é ruim. Eles não conseguem fazer isso no tempo em que o mercado exige.”

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