Bairros

Atividade manual ainda é campeã em contratações

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Entra ano, sai ano, mudam as tecnologias e os processos produtivos, mas a construção civil continua imbatível quando o assunto é incorporação de mão-de-obra. Entre janeiro e maio deste ano, servente de pedreiro foi a segunda ocupação que mais admitiu em Bauru, com mais de 1.000 contratações.

De acordo com o sociólogo da Universidade de São Paulo (USP) Uvanderson Vitor Silva, a razão para a construção civil ocupar essa dianteira é simples. “Esse setor é responsável pela infra-estrutura do País. Ela (a construção civil) é que viabiliza, através de portos, rodovias, usinas de energia elétrica, os meios pelos quais as demais áreas da economia poderão se expandir”, explica ele, que é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Silva lembra, ainda, que a construção civil costuma sentir mais rapidamente os investimentos diretos feitos pelo Estado. “Isso fica claro quando analisamos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, por exemplo. A maioria das verbas ali previstas será destinada a obras de infra-estrutura”, ressalta.

Outra caraterística, segundo o sociólogo, que permite à construção civil incorporar mais mão-de-obra do que outros setores da economia, está no fato dela se tratar de uma atividade manual realizada à base da força física dos trabalhadores. “É por essa razão também que o setor emprega basicamente profissionais semiqualificados”, diz ele.

Embora oferta de vagas seja grande no setor, o mercado ainda não é capaz de incorporar todos os profissionais disponíveis na cidade. Rogério Pinheiro, 28 anos, tem de caminhar bastante pelas ruas de Bauru para conseguir emprego.

“Tem épocas em que é mais fácil arrumar trabalho. Tem outras em que a gente passa a maior parte do tempo parado”, afirma. Na última semana, por exemplo, Pinheiro não conseguiu arranjar serviço e teve de permanecer em casa sem ter o que fazer.

“Quando chove é complicado. As pessoas evitam começar reformas quando o tempo está ruim”, diz Pinheiro, que já trabalhou em grandes construtoras, mas hoje atua de forma autônoma. “O que salva a gente, nos tempos de baixa, são os ‘servicinhos’ de pintura”, garante ele, que cobra R$ 45,00 pelo dia trabalhado.

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