A falta de qualificação dos profissionais da construção civil não afeta apenas os empresários do setor. Pedreiros e mestres-de-obras também sofrem com essa carência mão-de-obra capacitada, pois sentem dificuldades para encontrar auxiliares competentes para contratar.
“É complicado: às vezes, o camarada combina uma coisa com você e não cumpre; diz que virá trabalhar e não vem; cria problemas no serviço...”, reclama o pedreiro bauruense Rogério Pinheiro, morador do Jardim Godoy.
O pedreiro João Miguel Monteiro, 42 anos, também tem problemas para arrumar serventes de confiança. Na última quarta-feira, por exemplo, ele teve de trabalhar sozinho, pois o ajudante que ele havia contratado se negou a comparecer ao serviço em um dia nublado.
“Passei na casa dele para buscá-lo, mas ele falou que não compensava sair de casa com tempo chuvoso. Tomara que amanhã ele venha”, disse ele.
Faltas constantes não são o único inconveniente que um servente despreparado pode trazer a um mestre-de-obras. A principal preocupação de Monteiro é com a índole de seus auxiliares. O que para alguns pode parecer uma espécie de zelo excessivo, é na verdade uma medida essencial que o pedreiro toma para garantir sua freguesia.
“Se eu contratar uma cidadão de mau caráter, o dono da obra pode não querer passar o serviço para mim”, explica ele. Para evitar problemas, ele procura trabalhar apenas com pessoas conhecidas. “Dessa forma, já sei o que me espera pela frente”, disse.
Os pedreiros Antônio Rodrigues e Ivo Moreira também costumam se cuidar para evitar problemas com ajudantes. Os dois atuam em sociedade, e essa parceria faz com que a presença do servente se torne desnecessária nas obras que eles executam.
“A gente se conhece há bastante tempo e já sabe como outro trabalha. Por isso, é quase impossível a gente ter dores de cabeça no dia-a-dia”, afrimou Moreira.