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Quer enfrentar o eterno retorno?


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Sexta feira, 13 de julho... eu vi, com estes olhos que a terra há de comer, os cariocas vaiando calorosamente o Lulla. Ele não fez seu discurso. Com isso o ouvinte foi poupado da fastidiosa frase “nunca houve na história desse país uma realização tão grandiosa como os Jogos Pan Americanos.”

Dois acontecimentos chamaram a atenção do espectador durante a abertura.

Primeiro a apresentação digna de qualquer país com enormes recursos para gastar. Uma beleza, afinal, somos os reis do carnaval. O outro foi a vaia ao senhor da Silva. Pelo menos neste episódio ele poderá se vangloriar, pois nunca houve na história desse governo uma manifestação de repúdio tão grande. Mas, o rosto contraído passou-me a impressão de que ele vai preferir abstrair o fato. Imagine 80.000 pessoas vaiando-o quando aparecia nos telões. A glosa cessava quando a imagem desaparecia, ou seja: os cariocas vaiaram o chefe, mesmo. Quando anunciaram seu discurso aquele dilúvio de gente rugiu e a mega vaia explodiu. Isso significou vaiá-lo durante toda a abertura do Pan. Um jornal da capital colocou como manchete Pan e circo. Era minha idéia inicial comparar Nero e Lulla, ambos de personalidade paranóica e os jogos com as festas romanas do Coliseu. Deixa pra lá...

Ficou claro que não estavam no estádio Maracanã os agraciados com qualquer tipo de regalia, como os banqueiros ou os donos das agências medidoras da satisfação do povo com o governo, 56% hein?

O apupo veio da minguada classe média, dentre os 44% de insatisfeitos. Aquele pessoal pagador de seus impostos e de seu ingresso para ver o espetáculo. Aqueles penalizados com tantos tributos e obrigados a trabalhar de graça por quase seis meses para o governo gastar em bobagens. O homem que nunca sabe de nada, nunca viu nada, também não falou nada. A exteriorização de desagrado desse público impediu o pomposo Lulla de presidir a abertura do Pan. Quem assistiu sentiu um prazer enorme só de olhar para a cara dele. Foi a mais bela cena vista pelos brasileiros de brio nos últimos tempos. Parabéns aos cariocas, que pelo ato, tornaram-se ganhadores da primeira medalha de ouro do Pan!

A autora, Janira Fainer Bastos, é doutora em Estética e História da Arte e coordenadora do curso de pós-graduação lato-sensu Design de Interiores, do Iesb

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