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Pane aérea gera suspeita de sabotagem

Folhapress
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Brasília - Os reflexos da pane de energia ocorrida anteontem no Cindacta-4 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), localizado em Manaus, e nevoeiros no Rio Grande do Sul e São Paulo causaram atrasos de mais de uma hora em 44% dos vôos do País - ou em 584 dos 1.326 previstos para o período da 0h às 19h.

A suspeita de sabotagem no centro de controle amazônico levou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, ao local, onde passou o dia acompanhando os trabalhos dos controladores de tráfego aéreo. A Aeronáutica não descarta a ocorrência de sabotagem com base em algumas características da falha elétrica: o horário do problema - após as 22h de sexta-feira -, o fato de as vistorias anteriores não terem detectado problemas nos geradores, entre outros indícios.

Mas ontem o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (Cecomsaer) informou que considerou “extremamente profissional e exemplar” a atuação dos controladores durante a emergência.

O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, atribuiu os atrasos de ontem aos problemas que ocorreram anteontem: pane no Cindacta-4 e fechamento temporário dos aeroportos de Porto Alegre e São Paulo, por condições meteorológicas. “Foi reflexo das primeiras 24 horas após os problemas do sábado. A integração da malha aérea acaba produzindo os atrasos”, disse.

Ele lembrou que o Conselho de Aviação Civil (Conac) deu prazo de 60 dias para que a Anac faça a readequação da malha aérea. Os atrasos voltaram a acontecer nos principais aeroportos brasileiros.

Segundo o site da Infraero, até as 19h, dos 1.326 vôos programados, pelo menos 584 sofreram atrasos de mais de uma hora, índice de 44%, e 137 foram cancelados (10,3%). Aeroportos de Porto Alegre (63,6%), Salvador (59,7%), Florianópolis (59,2%), Fortaleza (55,1%), Recife (55,3%), Belém (52%), Brasília (48,1%) e Curitiba (48,2%) também tiveram altos índices de atrasos.

A Aeronáutica, por meio de assessoria de imprensa, informou que não houve alteração no sistema de controle do tráfego aéreo ontem. Em São Paulo, no aeroporto de Guarulhos, dos 219 vôos programados, 80 sofreram atrasos (36,5%). Em Congonhas, que opera apenas com a pista auxiliar, estavam previstos 165 vôos, dos quais 53, ou 32,1%, sofreram atrasos.

A TAM afirmou, por meio de assessoria de imprensa, que houve deslocamento dos vôos com escalas de Congonhas para Guarulhos, e que isso provocou alguns atrasos. A companhia não informou o número de vôos que foram transferidos entre os aeroportos. A Gol disse que os atrasos aconteceram por “condições meteorológicas”.

O aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, voltou a fechar por condições meteorológicas, entre as 12h30 e as 13h21. Lá, os passageiros buscaram programas alternativos. “Ainda bem que aqui tem uma TV para ver o Pan e um café quente. Não agüento mais tanta espera. As crianças cansam. É um inferno”, disse Andréa Simões Rosa, 35 anos, que aguardava o embarque para o Rio de Janeiro com o marido e os dois filhos. O mau tempo teve impacto no aeroporto Florianópolis, que teve 59,2 % de atrasos.

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