São Paulo - Familiares das vítimas do acidente com o vôo 3054 da TAM fizeram ontem um protesto no Aeroporto de Congonhas e no local da queda do avião da companhia, ocorrida na última terça-feira. De mãos dadas, em frente ao guichê da TAM, os parentes das vítimas rezaram um Pai Nosso. Durante a manifestação, fizeram apelos para que a identificação dos corpos seja feita com maior agilidade.
“Este é o motivo de estarmos aqui ontem. Há necessidade de mais espaço no Instituto Médico Legal (IML) para que os corpos sejam identificados”, afirmou Elisie Pedrosa, mãe de um dos passageiros do vôo, Gabriel Pedrosa, 26 anos.
Ainda de mãos dadas, os parentes atravessaram, há pouco, a svenida Washington Luís, que fica em frente ao aeroporto, e seguiram em direção ao local do acidente, onde permaneceram por alguns minutos. Em seguida, decidiram parar o trânsito da avenida para chamar a atenção da população para a urgência de soluções para a insegurança do tráfego aéreo no País. Durante a interdição do trânsito, os familiares se deitaram no chão por pelo menos cinco minutos, quando o tráfego foi interditado pela CET.
As equipes de resgate do Corpo de Bombeiros que estão trabalhando no local do acidente encontraram ontem mais fragmentos de corpos da vítimas. De acordo com o capitão dos Bombeiros, Mauro Lopes, o material já foi enviado ao Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. “A orientação é de que cada fragmento é importante para ajudar na identificação dos corpos. Também estamos em busca de pertences das vítimas”, afirmou.
Ontem, 30 bombeiros estão trabalhando no local do acidente, nas proximidades do Aeroporto de Congonhas. Este é o menor número de profissionais atuando no local, desde o ocorrido. Segundo Lopes, o total de funcionários em operação é suficiente para a atual fase dos trabalhos. Na noite do acidente, 234 bombeiros estiveram atuando no local.
O capitão disse que ainda não há previsão para o término das buscas. Lopes informou que, até agora, já foram retiradas 218 sacolas com corpos ou fragmentos. Deste total, 84% foram considerados corpos pelo IML.
198 vítimas
A TAM considera o taxista Thiago Domingos da Silva, 22 anos, como uma das vítimas desaparecidas entre destroços do Airbus-A320 da empresa e os escombros do prédio de sua central de cargas e do posto de gasolina onde ele estava parado com seu Corsa no momento do acidente de terça-feira.
Como Silva passou a ser considerado desaparecido pela empresa aérea, juntamente com outras oito pessoas (cinco funcionários da TAM Express e três prestadores de serviços), o número de vítimas do vôo JJ 3054 subiu de 197 para 198. Desse total de 198 vítimas, 187 estavam na aeronave e 11 fora, incluindo aí Silva. Dois funcionários do prédio da TAM já foram identificados logo depois.