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Caixa enterrada em igreja revela história do ‘Lauro’

Da Redação
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Uma carta escrita em latim, moedas, medalhas de santos e um jornal de 1944 com notícias sobre a Segunda Guerra Mundial foram encontrados numa caixa de ferro que estava enterrada no canto esquerdo da entrada da igreja do antigo Asilo-Colônia Aymorés, atual Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru. Além de serem documentos históricos, os objetos comprovam a data de construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

O templo foi construído na década de 40 e inaugurado em 1951, conforme já havia registros. A caixa foi descoberta em 2002, quando funcionários batiam uma estaca no local a fim de colocar brocas para reforçar o alicerce da igreja. “Só divulgamos agora porque colocamos o relógio e, também, porque participo de um projeto de preservação da história dos hospitais-colônias”, explica Jaime Prado, 54 anos, repórter cinematográfico do hospital.

O relógio, que fica no topo da igreja, parou de funcionar em 1961 e, surpreendentemente, voltou a atividade após 46 anos, quando Jaime decidiu puxar o pêndulo sem pretensão. O objeto foi o primeiro que voltou a ter vida na igreja, que será revitalizada.

Nivaldo Mercurio, 80 anos, morador do local desde 1945, recorda-se de quando o padre Miguel, de quem não consegue se recordar o sobrenome, pediu para enterrarem a caixa, logo no início da construção da igreja, a fim de preservar documentos históricos que confirmam a data da construção.

“Lembro disso e também de quando um caminhão novinho chegou carregado de materiais para o início da construção. Nós (portadores de hanseníase) achamos lindo, mas não podíamos chegar perto”, conta Nivaldo sobre o risco de contágio da doença na época, mais conhecida como lepra. Nivaldo também lembra-se de quando a caixa foi encontrada em 2002 e os pedreiros o chamaram para ver a descoberta. “Eles gritaram: Nivaldo, venha ver o que achamos! Daí eu lembrei dessa história da caixa”, conta.

A igreja está abandonada há 30 anos, desde que a colônia de hansenianos foi desativada, apesar de alguns moradores continuarem no local até hoje. O templo será restaurado em breve, segundo Jaime Prado. “Para onde eu olho, eu vejo história”, observa o funcionário que também descobriu uma inscrição de 1950 no topo da igreja, deixada pelo arquiteto responsável pela construção.

O coreto e o jardim ao redor do prédio também serão revitalizados, para a felicidade de moradores como Nivaldo, que tem boas recordações sobre aquele espaço do antigo Asilo-Colônia. “Todos os dias, entre 18h e 20h, os pacientes-músicos tocavam instrumentos musicais no coreto”, lembra-se esperançoso para que o lugar volte a ter mais vida.

O Instituto Lauro de Souza Lima foi criado em 1933 como Asilo-Colônia Aymorés, onde eram internados os portadores de hanseníase do Estado de São Paulo e região. Atualmente, é referência internacional no tratamento de doenças dermatológicas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Além dos serviços na área de dermatologia, o Instituto Lauro de Souza Lima também realiza atividades voltadas à pesquisa, ensino, reabilitação física, terapia ocupacional, fisioterapia e cirurgias plásticas corretivas.

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