Brasília - Oficialmente, a Polícia Federal (PF) não começou a perícia nos documentos apresentados pela defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). As análises iniciadas ontem são apenas preliminares, segundo policiais federais. Para começar o trabalho de aprofundamento determinado pelo Conselho de Ética, a PF aguarda a chegada de documentação, de Alagoas, para onde foram enviados dois técnicos do Senado.
Apesar do atraso no início das perícias, o senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos três relatores do caso Renan, negou que o adiamento - do início das perícias - prejudicará as investigações e a conclusão do processo. “Essa demora não vai prejudicar nossos trabalhos. Está tudo dentro da nossa expectativa, mas nós dependemos da perícia para trabalhar”, disse.
Pela previsão do Conselho de Ética, a PF deve concluir as perícias em um prazo de 20 dias. Mas essa previsão só vale a partir do início do trabalho, o que, por enquanto, não tem data para começar, segundo policiais federais.
Renan é acusado de quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. Ele é suspeito de ter utilizado dinheiro da construtora Mendes Júnior, via lobista Cláudio Gontijo, para pagar contas pessoais, como pensão alimentícia e aluguel à jornalista Mônica Veloso - com quem tem uma filha fora do casamento. O peemedebista nega as denúncias e insiste em dizer que é inocente.
A pedido do Conselho de Ética do Senado, a PF deve fazer análise da evolução patrimonial de Renan, no período de 2003 a 2007. Ao longo destes anos, o senador disse ter reunido um patrimônio de R$ 1,9 milhão. A idéia é considerar todos os documentos remetidos pelo Senado.
De acordo com policiais federais, as análises preliminares avaliam as declarações de renda (de 2003 a 2006), além de notas fiscais emitidas por empresas dele. São aguardados outros documentos, como atestado de vacina do rebanho, livro-caixa das propriedades e GTAs (guias de trânsito animal).