Bagdá - Ao menos 17 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em uma onda de carros-bomba que assustou o centro de Bagdá ontem, informou a polícia local. A maioria dos atentados ocorreu no distrito de Karrada, onde vivem predominantemente xiitas.
As mortes de ontem chegam em meio a preparações do governo iraquiano para sediar um novo - e raro - encontro entre representantes dos Estados Unidos e do Irã para discutir a segurança do Iraque. Ao menos três carros-bomba separados explodiram em Karrada, no lado leste do rio Tigre, perto de uma agitada região comercial.
Dois deles explodiram quase simultaneamente perto de um escritório do governo iraquiano. O escritório é responsável por emitir carteiras de identidade para iraquianos. A polícia afirmou que a bomba aparentemente visava atingir uma patrulha que passava no local. Entre os seis mortos nessa explosão, três eram policiais. Outras 20 pessoas ficaram feridas.
Quatro outras pessoas morreram e outras 18 ficaram feridas em outra explosão, pouco depois, em uma região perto de uma das principais pontes que cruzam o rio Tigre até a Zona Verde -área fortificada onde se encontram, entre outros, a Embaixada dos Estados Unidos e o Parlamento iraquiano.
Menos de uma hora depois, outro carro-bomba, que mais uma vez pareceu visar uma patrulha policial, foi detonado na praça Al Wathiq, em Kadarra, matando três pessoas. Dois dos mortos eram policiais. Outras quatro pessoas morreram pouco depois quando um carro-bomba explodiu na hora do almoço do lado de fora de um popular restaurante em Bagdá, o Seerwan.
O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshiyar Zebari, afirmou na noite de anteontem que enviados do Irã e dos EUA realizariam uma segunda rodada de discussões sobre a segurança no Iraque hoje.
O embaixador iraniano Hassan Kazemi-Qomi e o embaixador americano Ryan Crocker se encontraram em 28 de maio para começar a discutir a violência no Iraque. Este encontro foi o mais importante em quase três décadas entre os dois países. Washington acusa o Irã, de maioria xiita, de fomentar a violência no Iraque enviando verba e armamentos para radicais. O Irã nega e culpa a invasão dos EUA, em 2003, pela violência no país.