Bofete - A cidade de Bofete, região de Botucatu, vai se transformar em um grande laboratório no próximo sábado. A intenção é aplicar o teste rápido e fazer a detecção precoce da Hepatite C, doença assintomática que atrofia o fígado e pode levar à morte. A campanha de detecção precoce da Hepatite C é inédita no Brasil e será desenvolvida no dia 28, das 8h30 às 17 horas, em todos os postos de saúde daquela cidade.
A iniciativa é da ONG C Tem que Saber C Tem que Curar, poder público do município e do Departamento de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu, que pretende aplicar o teste em um grupo de 3.800 moradores de Bofete, já pré-triadas.
O presidente da ONG, Francisco Martucci, explica que pela primeira vez em toda a região Centro do Estado de SP será utilizado teste rápido para identificar os infectados pela Hepatite C. “O resultado sai em 10 minutos. O método anterior demora, em média, 20 dias.”
A importância da detecção precoce, segundo Martucci, é que os sintomas da Hepatite C só aparecem na fase terminal, quando já está instalada há 20 anos. “É assintomática, exceto na fase terminal, ou seja, com 20 anos de infecção. Nesse estado, o portador tem uma cirrose hepática. Quando o fígado está cirrotizado vai provocar o aparecimento de varizes no esôfago, que podem explodir e causar hemorragia interna. São 12 mortes por dia no Brasil por conta disso.”
Na fase terminal, só uma saída resta ao portador da doença. Entrar na lista de transplante de fígado, uma espera que pode demorar até cinco anos, período em que 95% dos portadores de Hepatite C morrem. “No Brasil só existem quatro fígados por milhão de habitantes. Os índices americanos e europeus são de 20 a 30 fígados por milhão de habitantes para transplante. Em um país como o nosso, que tem quatro milhões de portadores, a previsão científica é que um milhão de pessoas vão morrer nos próximos cinco anos.”
O presidente acredita que uma ação governamental poderia salvar 600 mil vidas, se fosse feita a detecção precose. Mas na opinião dele, o alto custo do tratamento provoca o desinteresse. “Cada doente custa ao Estado R$ 24 mil. Antes da ONG agir, custava R$ 150 mil. Não existe vacina para esse tipo de hepatite.”
Teste rápido
O teste rápido será aplicado por 8 equipes com 2 profissionais cada uma além da psicóloga, para conversar com os sororeagentes detectados naquele momento e que serão encaminhados de imediato para o setor de Gastro da Unesp, através do professor Giovanni Faria Silva.
Por que Bofete?
O municipio de Bofete, sob orientação da ONG, realizou um censo municipal, com um instituto profissional, para triar a população que se enquadra no grupo de risco da hepatite C, ou seja, aqueles que receberam sangue antes de 1993, que têm tatuagem ou piercing, se utilizaram de drogas intravenosas lícitas ou ilícitas pelo menos uma vez na vida, tiveram acidentes com material perfuro-cortante não esterelizado, portadores de HIV, profissionais da saúde etc.
O resultado foi que dos 8.605 (Censo do IBGE) moradores, 3.800 pertencem ao grupo de risco, ou seja 44% da população farão o teste. A mais expressiva do Brasil em porcentagem e em número de testes de que se tem registro no País.
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Pesquisa científica
A quantidade de testes a ser realizada irá subsidiar uma pesquisa científica do dr. Giovanni Faria Silva, para publicação internacional. Com o trabalho, o médico pretende saber onde está a prevalência da Hepatite C na população, classificando-a por faixa etária, sexo, cor, contribuindo asim para os estudos dessa ainda mistificada patologia. “O dado é fundamental pois os sororeagentes encontrados nesse grupo está perto dos 10% ao passo que na população aleatória o resultado dos sororeagentes não passa dos 3%.”