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Proibida venda de passagem em Congonhas

Por Gabriela Guerreiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou ontem a proibição da venda de passagens aéreas para vôos que partem de Congonhas (SP). O objetivo da agência é garantir o embarque dos usuários que já possuem bilhetes comprados.

O restabelecimento da venda de bilhetes para Congonhas estará condicionado, segundo a Anac, à volta à normalidade do fluxo de passageiros. “Qualquer vôo que passar em Congonhas, quem não tiver bilhete e quiser comprá-lo, não poderá fazê-lo mais”, disse o presidente da Anac, Milton Zuanazzi.

A agência também decidiu que ficarão proibidas, a partir deste final de semana, as operações de vôos fretados no aeroporto de Congonhas - e os vôos já autorizados serão transferidos para outros aeroportos, como Guarulhos e Viracopos (SP).

A Anac decidiu que seus técnicos vão passar a monitorar os sistemas de reservas das companhias aéreas para assegurar o embarque aos passageiros que já comparam bilhetes. “Se houve necessidade, poderá haver suspensão de vendas de passagens em outros aeroportos”, diz nota a Anac.

Outra medida, tomada esta tarde pela diretoria coletiva da agência, foi solicitar que a Infraero torne disponíveis espaços físicos para que as companhias aéreas “possam estabelecer maior fluxo de comunicação e melhor atendimento aos usuários”.

A Anac também vai determinar às companhias aéreas que disponibilizem pessoal em número suficiente para informar os passageiros sobre transferências, remanejamentos ou cancelamentos de vôos. “Elas devem utilizar para isso seus respectivos sites, centrais de atendimento telefônico, painéis multimídias nos aeroportos e veículos de comunicação de massa”, diz a nota da Anac.

O presidente da Anac estima que nas próximas 48 horas as operações nos principais aeroportos do País voltem à normalidade. Segundo Zuanazzi, a decisão da Anac de suspender a venda de passagens para vôos que partem de Congonhas (SP) vai permitir o fim do caos aéreo nos aeroportos. “É difícil falar em tempo. A partir do momento em que se corta a venda de passagens, sempre temos expectativa entre 24 horas e 48 horas. Eu pretendo que no final da tarde de amanhã estejamos vivendo outro momento”, disse Zuanazzi.

Chuvas

A cabeceira da pista principal do aeroporto de Congonhas, que sofreu deslizamentos de terra na tarde de anteontem, ainda corre o risco de continuar desmoronando. A avaliação é do coronel Jair Paca de Lima, coordenador da Defesa Civil do município.

Ontem pela manhã, Lima vistoriou o local e advertiu para novos deslizamentos. “Se continuar chovendo forte, a terra pode começar a deslizar novamente. É preciso avaliar logo o local e tomar providências pois as de emergência, que são paliativas, como a colocação de lonas e diques, já fizemos”, afirmou.

Segundo o porta-voz dos bombeiros, o capitão Mauro Lopes, a área está com grande parte comprometida. “Um novo deslizamento pode comprometer o muro de contenção. Mas o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) é que vai avaliar e dizer quais são os riscos apresentados”, disse.

Uma equipe com cinco técnicos do IPT, entre engenheiros e geólogos, e representantes da Infraero (estatal que administra os aeroportos brasileiros) e da Defesa Civil vistoriaram ontem de manhã o local do deslizamento. O desmoronamento fez com que a pista da alça de acesso do aeroporto, na avenida Washington Luís, foi interditada a cerca de 500 metros da entrada do saguão principal de Congonhas.

Os técnicos do IPT fizeram a análise geológica do terreno que sofreu a infiltração. Eles começaram os trabalhos às 8h pela pista principal, acima do muro, e depois desceram para o local interditado. Essa operação durou cerca de duas horas.

Após terminar os trabalhos, eles não se pronunciaram. Limitaram-se apenas em dizer que haviam sido chamados pela Infraero. Foram estendidos, desde a noite do desabamento, mais de 500 metros quadrados sobre a terra para conter mais infiltração de água no terreno e para evitar que a terra deslize. Durante todo o dia de anteontem, cerca de dez homens, entre bombeiros e técnicos da Defesa Civil, monitoraram a área desmoronada.

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