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Aeroporto vazio de aviões e cheio de passageiros provoca efeito cascata

Folhapress
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São Paulo - Congonhas parou ontem. De novo. Fechado pela Infraero para pousos três vezes ao longo do dia e boicotado por pilotos e companhias aéreas, o aeroporto ficou sem aviões para decolagens, produzindo um efeito cascata que espalhou atrasos nos terminais pelo País.

Segundo a Infraero, os sucessivos fechamentos para pousos - das 6h às 8h50, das 11h05 às 14h e novamente das 15h22 às 17h - decorreram do mau tempo. As partidas da pista auxiliar - a única em operação - estavam liberadas. Pelo mecanismo de causa e efeito, na prática, poucos vôos decolaram.

A TAM suspendeu o check-in nos balcões da companhia. Às 13h45 de ontem já não havia aeronaves de grande porte no pátio. Apenas aviões bimotores e helicópteros saíam do terminal. Ainda segundo a Infraero, às 18h não havia nenhuma operação no aeroporto. A última decolagem fora de um TAM para Goiânia, às 16h39. Balanço da própria estatal divulgado às 20h apontava 124 vôos cancelados, 30 atrasados e 76 alternados para Guarulhos ou Viracopos dos 243 previstos desde as 6h. Até as 19h, apenas 16 pousos e 26 decolagens ocorreram ao longo do dia.

Com metade dos vôos de Congonhas cancelados, pouco mais da metade das operações no País estavam atrasadas ou também canceladas. O caos em Congonhas com reflexos em todo o País criou um gargalo que levou a Gol a emitir um comunicado em que faz um apelo a que os passageiros não viajem até o próximo dia 30.

A Gol diz aguardar o restabelecimento do fluxo do tráfego aéreo no País até segunda-feira e afirma que mudará sua malha aérea nessa data, com transferência de parte dos vôos de Congonhas para Guarulhos. Em nota no início da noite, a TAM diz que, além de suspender o check-in, cancelou todos os vôos de Congonhas.

Determinação da Anac proibiu ontem a venda de passagens de todas as companhias a partir de Congonhas, para que fique assegurado o embarque dos usuários que já possuem bilhetes. TAM foi a primeira a cumprir a medida, com alerta no site de que não existiam vôos disponíveis de Congonhas para Santos-Dumont. Gol e Varig continuaram a vender passagens (a mais barata a R$ 289,00, sem taxas) até o início da noite, com três opções de horários.

Neblina

Choveu ontem em São Paulo. Em Congonhas (zona sul), foram registrados 2,6mm até as 18h, contra volume de chuva de 44mm no dia anterior. O motivo do fechamento, segundo a Infraero, foi a neblina, que dava baixa visibilidade aos pilotos. Quando o aeroporto esteve aberto ontem, os pousos foram feitos por instrumentos. Para hoje, a previsão é de mais chuva, com 20 mm de precipitação.

O estudante Romário Rodrigues tentava embarcar ontem em Congonhas no sétimo vôo desde o domingo para voltar ao Rio. Todos os vôos em que tinha tentado embarcar foram cancelados. José Geraldo Romano estava, ontem, em um hotel pago pela companhia aérea e tenta voltar para casa, em Uberlândia (MG) desde domingo. O vôo foi remarcado para segunda, e Romano, com a mulher, ficou num hotel em Guarulhos. O vôo foi remarcado duas vezes, mas ele diz que não arriscaria e tentaria voltar de ônibus.

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