Política

Professoras contestam diretora infantil

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Professoras bauruenses procuraram o JC para reclamar das declarações da diretora do Departamento Municipal de Educação Infantil, Márcia Zicker Di Flora, manifestadas em reportagem divulgada pelo jornal, no último dia 19, que tratava da solicitação das profissionais para que sejam eliminadas do calendário as atividades do mês de julho, através da redução de carga horária de 200 para 180 dias letivos no ano.

Na oportunidade, entre outras considerações sobre o assunto, Flora disse: “Se considerarmos que a criança da educação infantil fica três horas e meia com os professores, sendo meia hora em atividades recreativas e meia hora para lanche, sobram duas horas e meia para se trabalhar os conteúdos das áreas do conhecimento. E em 180 dias, se pensarmos em uma escola de qualidade, é muito pouco.”

Ou seja, na visão da Secretaria, os 20 dias letivos previstos para julho são relevantes para oferecer oportunidade adicional de conhecimento neste período. Mas foram justamente tais afirmações que provocaram protesto de docentes, para quem a diretora desvalorizou o trabalho desenvolvido pelas professoras. De outro lado, outra parte da demanda por atividades em julho atende à necessidade dos pais que não tem com quem deixar os filhos.

“Ela já foi professora, é profissional da educação e sabe muito bem que na recreação a criança desenvolve todo um projeto cognitivo, junto com seu grupo e com os próprios professores, de integração social dentro da atividade que no dia é preparada pelos profissionais da educação. Já sobre o lanche, se há meia hora, é porque trabalhamos o lanche com projetos políticos-pedagógicos que são discutidos dentro da unidade escolar a fim de desenvolver o tato pela boa alimentação, de cultivar especialidades de frutas e hortaliças, as boas maneiras e a escovação”, ressaltou Eliane Koti, representante do Sindicato dos Servidores (Sinserm).

Além disso, acrescentou outra professora, as crianças não ficam sozinhas durante o período de recreação e alimentação. “Não nos separamos dela”, enfatizou Cristiane Santos. “Os professores de educação infantil acompanham o aluno desde o momento em que a criança entra até ao que ela sai”, completou uma docente que preferiu não se identificar.

As professoras também ressaltaram que, em ambos os períodos, são realizadas atividades voltadas ao crescimento pessoal das crianças. “O lanche e a recreação também são trabalhados com elas. E na citação da diretora é como se não fosse feito nada. Além disso, consta no referencial curricular nacional para a educação infantil os atos de brincar e o da alimentação. E nosso planejamento é feito em cima desse referencial”, enfatizou Lucielene Aparecida André, que citou duas passagens textuais presentes no referencial curricular:

“O ato de alimentar tem por objetivo, além de fornecer nutrientes para a manutenção da vida e da saúde, proporcionar conforto ao saciar a fome, prazer ao estimular o paladar e contribui para a socialização. Além disso, é fonte de inúmeras oportunidades de aprendizagem. Já brincar é o espaço no qual se pode observar a coordenação das experiências prévias das crianças e aquilo que os objetos manipulados sugerem ou provocam no momento. Pela repetição daquilo que já se conhece, e utilizando a ativação da memória, (a criança) atualiza seus conhecimentos prévios ampliando-os e transformando-os por meio de criação e situação imaginária nova.”

“Nós, professores, somos responsáveis por estimular e interagir, dando condições para que essa criança brinque de maneira sadia e favoreça seu crescimento. Por isso a fala de nossa colega nos magoou e mexeu com nossos brios, pois nos consideramos professoras de educação infantil no todo, e não apenas em partes”, destacou.

Procurada pela reportagem do JC, a diretora Márcia Zwicker Di Flora preferiu não comentar mais o assunto.

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