Nem parecia que o bauruense Antônio Carlos Barbosa também estava se despedindo da Seleção de basquete feminina. Após 11 anos consecutivos a frente da equipe brasileira, o treinador decidiu passar “a bola” para Paulo Bassul, que foi seu assistente entre 1999 e 2004. “No total são 21 anos de Seleção Brasileira. Acho que chega uma hora que é preciso renovar. Até porque, e mesmo que sem querer, depois de tanto tempo criam-se vícios”, acredita.
“É claro que eu preferia ter conquistado a medalha de ouro, mas pelas condições de trabalho a prata valeu muito”. No Rio de Janeiro até o final de semana, o treinador pretende definir os rumos de sua carreira. A prioridade é iniciar o projeto da categoria cadete.
“Mas está tudo no começo ainda e preciso sentar com o pessoal da Confederação Brasileira de Basquete para saber como será. O importante é que se faça um trabalho de base no Brasil, caso contrário, não teremos quem convocar daqui alguns anos”, alerta. Candidato a deputado estadual no ano passado, o treinador de Bauru também não dispensa a idéia de voltar a investir na política.
“A pessoa tem dar para a comunidade o que tem que melhor e tentar fazer algo positivo principalmente no meio político onde se tem tanta corrupção. Por isso penso em tentar algo de novo. No ano passado, lancei minha candidatura junto com o Mundial e não tive tempo de me envolver, portanto, só vou tentar algo novamente se for para realmente me dedicar.”
Sobre a derrota de ontem, o bauruense destacou a qualidade técnica e a perfeição das americanas. “Individualmente, a equipe americana fez uma partida perfeita, principalmente no último período, quando marcaram 30 pontos. Inclusive fizeram duas cestas de três pontos com o cronômetro zerado. Com relação ao Brasil, fizemos o nosso jogo nos três primeiros períodos. No último quarto, o time delas conseguiu superar a nossa defesa. De qualquer forma, quero parabenizar as jogadoras e a Comissão Técnica pelo empenho e dedicação.
O objetivo era a medalha de ouro, mas como costumo dizer, foi o que tinha que ser. Encerro minha carreira como técnico e começo um novo desafio nas categorias de base”, concluiu o técnico, que se despede da seleção, acumulando 176 vitórias em 225 jogos oficiais em 21 anos de carreira como técnico das seleções cadete, juvenil e adulta.