Em uma tarde cinza, uma fresta de sol refletia nas centenas de flores acomodadas em cima do caixão. Logo ao lado de algumas dúzias de velas acesas no chão, o abraço apertado de uma família discreta, silenciosa. A dor de não ter velado, até então, o corpo da engenheira química Mirtes Tomie Suda, de 50 anos, nascida em Lins, uma das vítimas do vôo 3054 da TAM, parece ter se misturado com a tristeza de perder uma figura tão especial em uma tragédia.
“Ela era alto astral. Muito presente, muito querida, muito mesmo. Ela fazia parte de uma família muito unida” , disse um homem que acompanhava o enterro da engenheira na tarde de ontem, em Indaiatuba, região de Campinas.
O corpo de Mirtes foi identificado na noite de terça-feira pela Instituto Médio Legal (IML). A engenheira química morava em Indaiatuba, com a mãe. Solteira, não tinha filhos. Ela trabalhava em São Paulo, na Associação Brasileira de Indústria Química (Abiquim) e foi a Porto Alegre (RS), de onde o avião decolou, para participar de um congresso.
O cuidado em estar perto da família era tanto que Mirtes enfrentava diariamente a estrada para voltar para a casa da mãe. “Nunca vi uma família tão unida como essa. Mirtes era uma pessoa aventureira, que gostava de viajar. Corajosa e muito especial” , disse um amigo da família, com os olhares perdidos, como se tivesse lembrando da convivência com a engenheira.
Mirtes nasceu em Lins, região de Bauru. Ela passava metade da semana na Capital, onde trabalhava.