Nos dias de hoje, nós, educadores, ainda sonhamos e temos esperança que a educação no país avance, onde educadores trabalhem em condições dignas e com salários justos, mas ao invés disso acontecer o que se vê é o contrário, profissionais desmotivados, doentes, trabalhando às vezes por não ter opção. Nesse país, que não tem emprego para todos, que não oferece futuro aos cidadãos, todos tem sua parcela de culpa por essa situação. A corrupção está no meio de nós e assistimos passivos sem tomar nenhuma atitude.
A educação sofre com tanto descaso pela categoria, já não encontramos forças para lutar porque quando lutamos somos rechaçados, não entendem que a luta fortalece o coletivo, dá mais vida e esperança a todos, que são mais felizes os que lutam pelo próximo. E nesse vai e vem de pensamentos, dissabores, desabafos e indignação, repudiamos o que está acontecendo neste momento com os educadores da Educação Infantil do município de Bauru. Estamos trabalhando neste recesso, para quê? Professores exaustos e doentes, estressados, crianças cansadas, irritadas, precisando ficar um pouco com a família, para retomar logo mais em agosto as atividades. Não somos olhadores ou cuidadores de crianças, trabalhamos com objetivos, conteúdos pedagógicos e procedimentos, e isso parece não ser sério para os governantes.
Há 25 anos fico em recesso no mês de julho e este ano não? Por quê? Porque temos que atender promessas de campanha? Dessa maneira a qualidade de serviços prestados à criança é prejudicada por falta de funcionários, condições de trabalho e com profissionais doentes e revoltados. Será que é tão difícil entender que não é assim que vamos melhorar a educação? Que essa criança é usada, é um veículo, significa voto na urna, significa dar poder para alguns poucos cidadãos, que ao subir neste poder esquecem de quem os colocou no cargo. Na realidade, esses governantes, que nos tratam tão mal e sem consciência, são nossos empregados e deveriam estar trabalhando para melhorar as nossa vidas, pois pagamos muito caro para isso.
Se querem melhorar a educação e a saúde no país, deve-se começar pensando nos pequenos cidadãos, em construir uma cidade com mais condições de trabalho, de emprego. Que as mães deixem os filhos nas Emeiis para trabalharem realmente e não porque algumas crianças são grupo de risco, como diz o bordão popular, risco por quê? Porque as famílias não têm como sustentar seus filhos dignamente por falta de emprego? Ou porque trabalham em sub-empregos, ganhando uma miséria? Se a criança tem o direito de estar na escola integrada, então por que não se proporciona a ela um projeto de férias de julho, fazendo convênio com universidades, motivando essa criança, que ficará na escola todo o tempo, com atividades diversificadas, alegres e não estressantes como se vê hoje. Digo com todas as letras: não somos de ferro, somos humanos. Vamos lembrar também que as crianças têm direito de estar com a família, afinal de quem são esses filhos?
Maria de Lourdes Paula - professora municipal - RG 8760043-2