São Paulo - Os passageiros estão encontrando dificuldades ontem em comprar passagens aéreas de vôos que partem do aeroporto internacional Governador André Franco Montoro, em Cumbica, Guarulhos-SP. Muitos dos destinos estão com lotação esgotada e há muitos passageiros em lista de espera. Segundo as empresas, as dificuldades são por conta do remanejamento dos outros passageiros que tiveram seus vôos cancelados, a maioria em Congonhas.
Segundo a empresa Gol, todos os vôos estão lotados até a próxima segunda-feira, quando a companhia estima que a situação se normalize.
A companhia aérea TAM, que havia cancelado anteontem as vendas de bilhetes, retomou as vendas ontem, mas não garante que haja assentos disponíveis em todos os destinos. A mesma situação era apresentada pela empresa Varig. Muitos de seus vôos estavam com a lotação esgotada. Eram poucos os destinos que ainda haviam lugares, segundo a assessoria.
Já os passageiros que preferem viajar com a BRA não encontram dificuldades na compra. Segundo a empresa, ainda há disponibilidade de assentos na média diária de 12 vôos que a empresa opera no aeroporto.
As empresas orientam os passageiros a ligar ou acessar o site da empresa para confirmar se há bilhetes disponíveis para os destinos desejados.
Horário de pico
No horário de pico, Cumbica, em Guarulhos, considerado alternativa à Congonhas, não tem como receber mais vôos. Fora das horas mais movimentadas - entre 7h e 10h e entre 21h e 23h -, o aeroporto consegue absorver até 30% a mais de aeronaves. O acréscimo corresponde a mais 30 vôos por hora. Já o aeroporto de Campinas, também cotado para receber parte da demanda do aeroporto paulistano e que já recebe 4 vôos de passageiros/hora, poderia absorver até mais seis aeronaves a cada 60 minutos.
As informações são do diretor de Operações da Infraero, Rogério Barzellay, que disse anteontem que TAM, Gol, Varig Log, Ocean Air e BRA apresentaram uma “malha provisória” para se adaptar às restrições de Congonhas. A nova configuração de vôos ainda tem de ser aprovada pela Anac, segundo ele, e já valeria na segunda.
O governo estima que a demanda a ser retirada de Congonhas seja entre 5 e 6 milhões de passageiros ao ano. Cumbica conseguiria abrigar 4 milhões de passageiros a mais. Viracopos, em Campinas, abrigaria 1,5 milhão de passageiros extras.
É a avaliação da Infraero, de acordo com o que apurou a reportagem. Mas especialistas têm dúvidas em relação à viabilidade imediata de Cumbica como alternativa, e apontam o risco do aeroporto concentrar vôos e passar a apresentar os mesmos problemas de Congonhas.
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Empresas são notificadas
São Paulo - A Agência Nacional de Aviação de Aviação Civil (Anac) notificou quatro empresas aéreas por vender passagens aéreas de Congonhas durante a proibição imposta pela agência na terça-feira. Pantanal, Ocean Air, BRA e TAM podem ser multadas em até R$ 10 mil.
A venda dos bilhetes para vôos que partiam de Congonhas foi anunciada pela Anac na terça-feira para diminuir a superlotação e as filas no terminal. O caos em Congonhas foi gerado pelos sucessivos fechamentos da pista auxiliar, pelo fechamento da pista principal depois do acidente com o vôo 3054 e pela pane no Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-4) no fim de semana.
De acordo com a agência, as empresas venderam passagens anteontem, quando o prazo para o veto das vendas ainda não havia sido estabelecido.
Apenas nesta quinta-feira foi divulgada uma portaria da agência permitindo a venda dos bilhetes que partem a partir da próxima segunda-feira. A venda ilegal foi constatada por fiscais da Anac que conseguiram comprar os bilhetes. As empresas têm 20 dias para se defender. Se as explicações não forem aceitas, a agência irá multá-las.
Procurada pela reportagem, a TAM afirmou que não cumpre e última portaria divulgada pela Anac, mas que não foi notificada oficialmente pela agência.
BRA, Pantanal e OceanAir também foram procuradas pela reportagem por volta das 12h, mas ainda não se manifestaram.