O Consulado do Líbano e a Eparquia Maronita do Brasil escolheram Bauru para sediar o desenvolvimento de um projeto piloto - que servirá de base para o restante do País - a fim de fazer um levantamento do número de libaneses vivendo na cidade e, ao mesmo tempo, estimular e dar condições para que a comunidade consiga obter a cidadania dessa nacionalidade.
O projeto, que já está em andamento e foi lançado no décimo aniversário da paróquia, está sob a coordenação em Bauru do padre Rubens Miraglia Zani, da paróquia Nossa Senhora do Líbano, e de Michel Nabi Raad, responsável pelo perfil técnico da iniciativa. “A intenção é fazer um censo da presença libanesa no Brasil com dados concretos, além de dar a essas pessoas a cidadania libanesa para que elas possam ter todos seus direitos civis, como votar em eleições e usar passaporte”, destacou Zani. E acrescentou: “Atualmente, qualquer estimativa que possamos fazer sobre o número de libaneses em Bauru é aleatória.”
A preocupação do consulado e da eparquia se justifica. Isso porque, conforme ressaltou Zani, a comunidade libanesa no País é a maior do mundo, ultrapassando até mesmo a população do próprio Líbano. “A maior imigração libanesa ocorrida no mundo foi para o Brasil. Há mais libaneses no Brasil do que no Líbano, sem falar dos descendentes, que se fossem somados ultrapassaria a casa do milhão. Há presença grande também na Austrália, Estados Unidos e parte da África, mas não bate a quantidade do Brasil”, enfatizou.
O padre esclareceu que uma reunião preparatória do projeto já foi realizada e o próximo passo será a busca dos contatos com as famílias. “Fizemos uma reunião, na segunda-feira passada, com vários representantes da colônia, para repassar as informações necessárias e colhermos dados que já estão sendo tabulados. Feito isso, entraremos em contato com as famílias e analisaremos caso a caso”, destacou Zani, para depois complementar:
“Se o pai é libanês com certificado de nascimento tirado no Líbano, é mais fácil. Se o pai é filho de libanês, então tem de levantar a documentação. Se ambos os pais são libaneses, o procedimento é de um modo, se o pai é libanês e a mãe não é de outro e, se é só a mãe libanesa, então, infelizmente, ela não pode legar aos filhos a cidadania, de acordo com a legislação libanesa.”
Informações
Zani contou que os interessados em saber mais sobre o assunto poderão contatar uma central de atendimento que já se encontra em operação e também poderá prestar esclarecimentos a libaneses da região. A central de atendimento do projeto opera no telefone (14) 3232-3439. “A central oferecerá todas as informações necessárias. Pessoas da região que quiserem também poderão entrar em contato para efetuar o cadastro, desde que sejam libanesas”, salientou.
O padre explicou, ainda, que o projeto auxiliará em todos os trâmites burocráticos para a obtenção da cidadania, uma das maiores reclamações de libaneses que não conseguiam retirá-la. “Cuidaremos do endereçamento de toda a papelada e orientaremos no que for necessário caso a caso. E também nos encarregaremos de fazer chegar a documentação ao consulado, onde já temos quem cuidará da tramitação aqui e no Líbano”, frisou Zani. E completou:
“Muitas vezes eles começavam os processos para tirada da cidadania, mas encontravam dificuldades até mesmo no Líbano. Sei de gente daqui que tentou, infrutiferamente, conseguir cidadania para os filhos estando no Líbano e foi difícil em razão de entraves burocráticos. Mas isso tudo será superado com esse tipo de trabalho.”
Por fim, Zani enfatizou não ser obrigatório aos libaneses participarem da iniciativa. “Não é algo obrigatório e não há nenhum tipo de ônus para quem participa. O trabalho todo é feito graciosamente. Haveria um incentivo de nossa parte para que se fizesse esse cadastramento para termos noção da quantidade exata de libaneses e descendentes presentes aqui, mas não é nada compulsório”, concluiu.