Bairros

Bauruenses se unem contra aquecimento global

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto nações desenvolvidas - principalmente os Estados Unidos - se negam a aderir aos tratados internacionais que visam reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo “efeito estufa” (fenômeno que, por sua vez, estaria relacionado ao possível aumento da temperatura da Terra registrado nas últimas décadas), a população de Bauru se une na esperança de garantir um futuro melhor para o Planeta.

No último mês, por exemplo, a Secretaria do Meio Ambiente começou a realizar um levantamento para saber a quantidade de gases que os veículos da prefeitura lançam ao ar anualmente. Dados preliminares apontam que, apenas em 2006, a frota do município gerou quase 1.850.000 de quilos de gás carbônico (tido como um dos principais responsáveis pela retenção de calor na atmosfera da Terra). Rodrigo Agostinho de Mendonça, responsável pela pasta, pretende colocar em prática diversos projetos visando compensar essas emissões.

Mas a coisa não pára por aí: através de iniciativas aparentemente insignificantes, entidades, empresas e pessoas comuns também têm se esforçado de maneira conjunta na tentativa de, pelo menos, frear (uma vez que, segundo especialistas, o processo seria irreversível) o aquecimento global.

“Sempre acreditei no poder que as pequenas ações isoladas têm de transformar mundo. O ser humano, pela própria natureza que possui, costuma transferir a responsabilidade dos problemas para uma entidade intangível, que é o outro. Dizemos, por exemplo: ‘O Brasil está ruim porque o povo não sabe votar.’ Ora, quem é o povo? Nós também não fazemos parte dele? Se, dentro de nossas limitações pessoais, todos tentássemos fazer um pouco pelo mundo, as coisas certamente estariam melhores”, acredita o bauruense Sílvio Luís Arruda, 43 anos, morador do Núcleo Mary Dota (zona norte da cidade) e adeptos de ações ecologicamente corretas.

Deivis Rodrigues, 24 anos, que atua como estagiário no Instituto Ambiental Vidágua (entidade que também vem dando ênfase em seus projetos à questão do aquecimento global), também é adepto das pequenas iniciativas como forma de se combater um problema maior. Ele participa da coleta seletiva de lixo, dá preferência ao transporte coletivo e evita todo e qualquer tipo de desperdício. “Esses gestos podem até ser pequenos, mas se ninguém os fizer aí sim o mundo estará perdido”, pensa ele.

Quando Deivis deixa de desperdiçar papel em sua casa, por exemplo, está evitando que árvores sejam retiradas da natureza e depois transportadas de caminhão à uma fábrica, onde, mediante complicados processos industriais, seriam transformadas em cadernos ou blocos de notas, que, por sua vez, seriam enviados a uma loja, na qual permaneceriam à disposição do consumidor.

Nesse longo caminho, da floresta até a papelaria, o bloco de notas que Deivis deixou de consumir poderia ter deixado uma quantidade imensa de resíduos na natureza, entre eles os gases responsáveis pelo “efeito estufa”.

Isso não quer dizer, porém, que apenas esse ato isolado do bauruense seria capaz de frear o processo de aquecimento da Terra. Aliás, mesmo que toda a cidade resolvesse adotar os exemplos de Deivis e Sílvio, seria praticamente impossível impedir que as transformações climáticas seguissem seu curso.

Para um grande número de cientistas, a elevação da temperatura do planeta é resultado direto da atividade humana. “Mudanças climáticas são fenômenos naturais. Só que esses processos costumam demorar milênios para se concretizar, e os seres vivos têm maiores condições de se adaptar à nova realidade. O problema, hoje, é que as alterações estão ocorrendo rápido demais. Não sabemos se as espécies, inclusive a nossa, conseguirão sobreviver a essas transformações”, explica o professor do departamento de ciências biológicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru Osmar Cavassan.

“Esse problema é global, e só pode ser resolvido - se é que isso é possível - mediante uma mudança drástica na matriz energética do planeta e no modo de produção que adotamos. Não que um pequeno gesto não seja importante. Na verdade, ele pode trazer um reflexo local muito positivo. Fazendo a coleta seletiva de materiais recicláveis, você está evitando que uma maior quantidade de resíduos seja mandada para os aterros sanitários; quando você planta uma árvore próximo a sua casa, você está ajudando a tornar sua vizinhança mais agradável, e assim por diante. Mesmo que não sejamos capazes de diminuir os impactos do aquecimento da Terra, teremos condições, com essas iniciativas, de melhorar (e muito) o ambiente em que vivemos”, afirma Cavassan.

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