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Óleo de cozinha será alvo da Semma

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Em breve, a Central de Reciclagem do Jardim Redentor, em Bauru, deverá também receber óleo de cozinha. Altamente poluente, o óleo utilizado para frituras não pode ser jogado no ralo da pia, para evitar a poluição dos rios. Rodrigo Agostinho, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), adianta que os cooperados começaram a coletar óleo de cozinha. “Eles ainda vão decidir o que fazer com o produto, se vão vender para alguma empresa”, diz.

Bauru já possui uma empresa que coleta para revender óleo vegetal utilizado nas cozinhas. Os maiores fornecedores são restaurantes e lanchonetes. Mensalmente, ela recolhe 40 mil litros de óleo vegetal já usado.

Recolher o óleo de cozinha é evitar que o líquido vá parar nos rios e córregos. Um litro de óleo contamina um milhão de litros de água. Em sua decomposição, o óleo também emite metano para a atmosfera. Esse gás é um dos principais causadores do efeito estufa. Em grandes quantidades, o óleo impermeabiliza as margens e contribui para enchentes.

O biólogo Ivan de Marchi, do Instituto Ambiental Vidágua, calcula que uma família chega a produzir um litro de óleo a cada dois meses. “No futuro, com o aumento da produção de biocombustível, algumas indústrias deverão espalhar pontos de coleta na cidade. Enquanto isso, a saída considerada menos poluente para quem não recolhe, é jogar o óleo na terra, em um jardim”, observa o biólogo.

Segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE), os locais de maior ocorrência de entupimento de encanamentos causado por óleo é o Jardim Ouro Verde e a avenida Nações Unidas, a partir da quadra 20, onde há grande concentração de restaurantes.

Desde o início do mês, a Semma mantém no Poupatempo um posto de coleta de pilhas e baterias usadas, outro material altamente poluente.

“A aceitação foi muito boa. O Poupatempo de Bauru foi o primeiro a investir nessa idéia”, observa Agostinho. Animado com a evolução da iniciativa, o secretário já estuda uma parceria com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) para a coleta e disposição de lâmpadas fluorescentes. “A idéia é manter um posto de entrega no Poupatempo e a Emdurb faria o descarte”, observa.

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Cooperativa

Uma das integrantes da cooperativa que atua na Central de Reciclagem de Bauru, Cleusa Moreira, 47 anos, acorda às 4h30. “Gosto de acordar bem cedo para caprichar na marmita”, revela. Antes de sair, ela arruma toda a casa e faz as refeições dela e do marido, que é pedreiro. Por volta das 6h30, ela sai do Jardim Nicéia e vai a pé até o Jardim Redentor, para trabalhar na triagem dos recicláveis, função que desempenha há 12 anos. No galpão, ela faz a “faxina”, antes dos caminhões chegarem com o material para a triagem.

“Separamos o PET branco do colorido. Também separamos os três tipos de papel. As caixas de leite vão para um latão e os vidros, para outro”, explica.

Como as embalagens de longa vida não são compradas pelos depósitos da cidade, os autônomos acabam não recolhendo e todas vão parar na cooperativa. Lá, esse material é separado e vendido. O mesmo acontece com o vidro. Além de fazer muito peso nos carrinhos, ele não é muito valorizado. Então, as embalagens de vidro também vão parar na central.

Por volta das 16h30, depois de carregar quase 100 quilos de material para cima e para baixo, dona Creuzinha, como é chamada pelas colegas, volta para casa. “Como meus filhos não moram mais com a gente, fica só eu e o meu velho conversando depois da janta”, conta.

O assunto é sempre o orçamento. “Ficamos imaginando o que fazer para pagar tudo. O pessoal às vezes reclama que o salário é baixo, mas é só não querer gastar R$ 500,00 quando se ganha R$ 300,00, que dá certo”, explica.

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