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Passeata por vítimas da TAM reúne 6 mil

Por Roberto de Oliveira | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Sobre a cabeça, aviões fazem barulho em Congonhas. Sobre o asfalto, em frente ao prédio da TAM Express, um tapete de flores brancas, envolto em faixas de protesto contra autoridades e companhias aéreas e despedidas às vítimas da maior tragédia da aviação brasileira. Era esse o cenário de encerramento da caminhada em homenagem aos mortos em acidentes aéreos e pela solução da crise no setor que vem se arrastando há cerca de dez meses.

A passeata começou ontem, por volta das 9h40, próximo ao Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera (zona sul de SP). Seguiu um percurso aproximado de 4 quilômetros até chegar à avenida Washington Luís, por volta das 11h50, diante do terminal de cargas, contra o qual se chocou o Airbus-A320, provocando 199 mortes, no dia 17 de julho.

Nem garoa, frio de 7ºC e vento cortante esfriaram o ânimo dos paulistanos. Parte deles vestia camiseta preta, com flores e fotos de familiares mortos nas mãos. A maioria usava nariz de palhaço. Cartazes escuros com letras brancas traziam mensagens de “solidariedade às famílias”, “respeito”, “cansei”, “basta” e críticas ao presidente Lula e à ministra do Turismo, Marta Suplicy.

A TAM, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a Anac e até o Metrô também foram lembrados nas faixas e nos protestos dos participantes. Estimativas da Guarda Civil Metropolitana, da Defesa Civil e dos organizadores do evento calculavam que entre 5 mil e 6 mil pessoas participaram da caminhada, que começou de forma tímida, com cerca de mil presentes e foi ganhando adesão conforme se aproximava do local da tragédia.

A PM se recusou a usar o “chutômetro” para estabelecer o número de participantes. Não foram registrados incidentes durante todo o trajeto. Pouso sob vaias Nem todos os participantes eram parentes das vítimas de acidentes aéreos. A tradutora Patrícia Abib, 39 anos, ficou sabendo do manifesto pela internet. Carregando uma placa onde se lia “Respeito aos cidadãos”, ela disse ter ido ao evento em solidariedade. “Acho fundamental que a manifestação seja apartidária. Não podemos misturar as coisas. Seria desrespeito à dor dos familiares das vítimas.”

Casais com crianças, jovens e idosos se emocionaram na hora de jogar as flores em frente ao prédio destruído da TAM. Naquele momento final, eles se cumprimentavam, se abraçavam e choravam muito. Numa mão, a aposentada Terezinha Machado, 65 anos, carregava um vaso de flores. Na outra, um rosário. Bastante emocionada, ela disse que não poderia ficar diante da TV, num domingo frio, imune à manifestação.

Os participantes rezaram um Pai Nosso, cantaram o Hino Nacional, fizeram um minuto de silêncio e, sob aplausos, gritaram palavras como “corajosos” e “heróis” para os bombeiros. Na etapa final da manifestação, três aeronaves pousaram em Congonhas, uma delas da TAM, o que provocou vaias e gritaria entre os presentes.

Emocionado, Roberto Gomes, 51 anos, irmão do empresário Mário Gomes, 49 anos, morto na tragédia da TAM, foi um dos manifestantes que cumprimentou os bombeiros. Ele acha que a passeata revela que “está na hora da sociedade se mobilizar e mostrar aos governantes que eles não são imperadores”. “A classe política não pode continuar a tratar o povo como se fosse de segunda ou terceira categoria. Terceira categoria são eles, com seus atos omissos e corruptos”, disse Gomes.

Floriano Pesaro, secretário de Assistência e Desenvolvimento Social do governo Kassab (DEM), contou que estava lá, discursando em cima do caminhão que conduzia a passeata, como integrante do Cidadão, Responsável, Informado e Atuante (Cria) Brasil e como “paulistano indignado”. “Essa passeata é apartidária”, disse Floriano. “Viajo de avião com freqüência. Estamos sujeitos a pegar um vôo e não voltar para casa. Não vamos mais tolerar a inércia do Estado. Vamos protestar, cercar, acompanhar, entrar na Justiça. Vamos agir como verdadeiros cidadãos.”

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Identificação

Subiu para 110 o número de vítimas do acidente com o Airbus da TAM identificadas pelo Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), desde a noite de sábado foram identificados os restos mortais de Bruna de Villi Chaccur, Renato Garcia Ribeiro, Eduardo Mancia, João Valmir Lemes Souza, Aline Monteiro Castigio, Gabriel Corrêa Pedrosa e Marco Antônio da Silva.

Bruna tinha 29 anos e era advogada. Ela era casada e deixou uma filha. A vítima viajava com freqüência a trabalho. Morador de Santo André (Grande São Paulo), Renato tinha 25 anos e era solteiro. Trabalhava como supervisor de vendas da matriz da empresa Haldex no Brasil. Viajou a trabalho para o Rio Grande do Sul na segunda-feira, um dia antes do acidente.

Eduardo Mancia tinha 60 anos e era consultor de empresas. Vivia em Porto Alegre. Era casado com Lídia Mancia e deixa filhos. João Valmir Souza tinha 43 anos e era supervisor de vendas da empresa Metal Tork tinha viajado para Porto Alegre para visitar clientes.

Aline Castigio tinha 28 anos e era funcionária da TAM há sete anos. Gabriel Pedrosa tinha 26 anos e era dono de uma loja da rede Habib’s em Manaus. Vinha a São Paulo a negócios. Marco Antônio Silva era superintendente da TAM. Nascido em Santo André (Grande São Paulo), morava havia mais de dez anos em Porto Alegre. Tinha 52 anos, era casado e deixa duas filhas.

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