Esportes

Barbosa chega em Bauru e faz balanço do Pan

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de encerrar a carreira de técnico da Seleção Brasileira de basquete feminino nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro com a conquista da medalha de prata, o bauruense Antônio Carlos Barbosa chegou ontem em Bauru e concedeu entrevista ao Jornal da Cidade. O técnico falou sobre o desempenho da seleção no Pan, o futuro dentro da Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e a emoção de deixar o cargo em um Pan-Americano no Brasil após 21 anos como treinador de Seleção Brasileira. A seguir leia os principais trechos da entrevista do bauruense ao JC.

Jornal da Cidade – Barbosa, deixar a seleção feminina de basquete após a conquista de uma medalha no Pan do Rio é uma oportunidade de dizer: “missão cumprida”?

Barbosa – (Risos) Sim, missão cumprida. Fizemos o melhor que podíamos fazer. Jogamos tudo contra a equipe dos Estados Unidos, que de fraca não tinha nada. Muitos disseram que os Estados Unidos vieram com equipes universitárias, mas eles não entendem que nos Estados Unidos as equipes universitárias tem nível profissional. Mas foi uma emoção muito grande. Mais do que isso é o reconhecimento do público que nos aplaudiu após a partida. E a medalha premiou o trabalho.

JC – Você não pôde contar com todas as atletas que gostaria, mesmo assim chegou à final. Você acredita que a motivação pela sua saída e de Janeth tenha motivado a equipe?

Barbosa – Sem ter a Érika e a Iziane, não tive tantas “trocas” (substitutas) disponíveis. Sem ter essas “trocas” sua equipe fica muito vulnerável. Estávamos com um time muito renovado, mas a equipe foi exemplar, as jogadoras estavam muito motivadas. E jogar contra os Estados Unidos é muito difícil.

JC – Você ficou satisfeito com a medalha de prata?

Barbosa – Em um primeiro momento você fica chateado porque vê o ouro muito próximo, mas depois você se acalma e compreende o resultado principalmente com o reconhecimento do público. Disseram que o Brasil perdeu para uma equipe universitária, mas nos Estados Unidos as universitárias tem nível profissional. Universidade é a estrutura de clube deles (EUA). Elas (jogadoras) saem da universidade e entram direto na WNBA (liga profissional norte-americana).

JC - Como foi o reconhecimento do público?

Barbosa – Depois do jogo, eu e a Janeth fomos homenageados pelas jogadoras com mensagens na camiseta e a CBB nos deu uma placa de prata para cada um de nós. Quando me aproximei do público todos gritavam meu nome. Aquilo ali foi a maior realização profissional minha. Nas ruas o público me parava para bater fotos. Foi uma emoção muito grande ver esse reconhecimento em outro Estado. Porque sou paulista e ver o público gritar seu nome lá no Rio de Janeiro é emocionante. Naquele momento eu balancei.

JC – Qual é a sua avaliação do Pan-Americano do Rio de Janeiro?

Barbosa – Foi um Pan-Americano muito bem organizado. Eu digo isso porque esse foi o meu sexto Pan. Fui em Cali (Colômbia), Porto Rico, Venezuela, Canadá, São Domingos e agora no Brasil. Eu posso dizer para você que nenhum teve instalações esportivas que tem no Brasil. Nenhum tem uma Vila Pan-Americana como tem no Rio de Janeiro. Para você ter uma idéia a comissão técnica ficou num apartamento com quatro suítes. Tudo muito amplo, transporte funcionando muito bem. E o povo carioca, é absurdo como eles gostam de esporte. A segurança foi até exagerada, tinham muitos guardas e detector de metais em todos os lugares.

JC – Quais os planos daqui para a frente?

Barbosa - Agora minha vida vai ficar dividida entre Bauru e o Rio de Janeiro. Vou assumir o cargo na CBB, não só de supervisor de categorias de base, mas também vou assessorar o presidente (Gerasime Bozikis, o Grego). Vou dar clínicas de basquete e acompanhar as seleções de base.

JC – Como fica a equipe sem a Janeth para a disputa do pré-olímpico?

Barbosa – Eu acho que existe uma base muito boa já. Eu deixo uma seleção formada. A Janeth é uma jogadora muito importante, mas nós já tivemos a saída da Hortência e da Paula, e com a Janeth vai ser naturalmente. O duro é quando você tem uma equipe totalmente desmontada. Mas não é o caso, já temos uma base que não vai fugir de Érika, Êga, Mikaela, Adrianinha e Iziane.

JC – Como coordenador da CBB quais são suas metas?

Barbosa – Tenho que visitar o Campeonato Brasileiro de categorias de base. Vou dar palestras para os técnicos. Vou passar minha experiência para os treinadores do Brasil.

JC – Esse trabalho nas categorias de base faz parte de um trabalho de renovação que o basquete brasileiro tanto necessita?

Barbosa – Com certeza. O maior problema do basquete feminino é realmente o pequeno número de jogadoras convocáveis. Então temos que melhorar a qualidade do basquete brasileiro. A CBB já tem um trabalho chamado CBI, Centro de Basquete Integrado, que são convênios em várias regiões do Brasil em que a CBB dá bola, camisa e paga o instrutor. Vamos supervisionar isso também. Mas temos que melhorar o nível de nossos técnicos para que o nível do basquete melhore também.

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