Washington - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou ontem ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que compartilha da visão americana de que há “tarefas a dispensar e responsabilidades a manter” no Iraque. “Nosso objetivo, como o dos EUA, é entregar passo a passo o controle às autoridades iraquianas”, disse Brown ao lado de Bush, em entrevista coletiva em Camp David, a residência de final de semana da Casa Branca.
A entrevista foi dada após a reunião entre Bush e Brown, que começou anteontem, e marcou o primeiro encontro entre ambos desde que Brown assumiu o poder no Reino Unido, no final de maio. As afirmações de Brown contrariaram as expectativas de que a guerra no Iraque não seria incluída entre os assuntos do encontro, por ser um tema delicado.
Brown afirmou que as decisões sobre as tropas no Iraque só seriam tomadas “sob o aconselhamento militar de nossos comandantes em campo”. Minutos depois, em resposta a uma pergunta, Bush afirmou: “As decisões sobre o caminho futuro no Iraque devem ser tomadas com uma recomendação militar como parte integral”.
O comprometimento do Reino Unido com a guerra é essencial para o governo Bush. O Reino Unido tem 5.500 soldados no país árabe, migrando de tarefas de combate para assessorar as forças iraquianas locais. Bush não respondeu diretamente se planeja passar a guerra ao próximo presidente, que deve assumir em janeiro de 2009, mas deu a entender que seria provável. “Isso vai tomar um longo tempo no Iraque, assim como a luta ideológica irá tomar um longo tempo.”
Boas relações
Bush deu a Brown o tratamento completo destinado aos líderes estrangeiros: o cobiçado pernoite da residência presidencial de Camp David, três refeições completas e conversas introdutórias abrangendo uma série de assuntos importantes.
Bush e Brown deram a entrevista aos jornalistas na manhã de ontem com 25 minutos de atraso, uma raridade para o tão pontual presidente americano. “Então, todos devem estar curiosos para saber se o primeiro-ministro e eu fomos capazes ou não de encontrar pontos em comum, de nos darmos bem, de termos uma discussão significativa”, Bush disse para abrir a entrevista. “E a resposta é ‘absolutamente’.”
Bush disse que eles se reuniram sozinhos durante o jantar de anteontem por mais de duas horas, dispensando assessores de ambos os lados - os britânicos eram maioria. “Vocês sabem, ele provavelmente não tinha certeza do que poderia esperar de mim”, ironizou o presidente Bush. “Eu tinha uma boa noção do tipo de pessoa com a qual estaria lidando. Eu descreveria Gordon Brown como um homem de fortes princípios, que realmente quer que algo seja feito.”
Sobre a luta contra o terrorismo, o presidente americano e o premiê britânico disseram que não há diferença entre suas visões. “Nós somos um em lutar na batalha contra o terrorismo”, disse Brown. Bush disse que o premiê foi testado logo após assumir o governo, quando seu país foi alvo de ameaças terroristas e enchentes catastróficas, e “provou seu valor como líder”.
No dia 29 de junho, sexta-feira, dois carros-bomba foram encontrados em Londres. No sábado, 30 de junho, dois homens jogaram um jipe em chamas contra o aeroporto de Glasgow, na Escócia. Nenhuma das ações deixou vítimas. Além disso, o Reino Unido enfrentou nos últimos dias as piores inundações dos últimos 60 anos.
Gordon Brown afirmou ontem que ele e o presidente Bush concordam com a necessidade de adotar sanções mais pesadas contra o Irã sobre seu programa nuclear. “Sobre o Irã, estamos de acordo que as sanções estão funcionando e o próximo passo que estamos prontos a dar é endurecer as sanções com mais uma resolução da ONU (Organização das Nações Unidas)”, disse Brown. O Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas já impôs dois pacotes de sanções contra Teerã desde dezembro último por sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio - processo que pode tanto produzir combustível para usinas nucleares quanto material para armas de destruição em massa.
Um terceiro pacote de sanções está sob avaliação. Parte da comunidade internacional suspeita que as atividades do Irã tenham o objetivo de produzir bombas nucleares. Teerã nega e afirma que o programa visa apenas a obtenção de energia.