Política

CDHU-Bauru fica, Marília fecha

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O governo do Estado de São Paulo deve anunciar hoje, em entrevista coletiva na capital, reestruturação nas sedes regionais da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). Entre as medidas está a decisão de que a regional de Bauru vai absorver os escritórios de Presidente Prudente e Marília. O programa de reestruturação também pode incluir mudanças no programa de financiamento habitacional paulista, financiado com a destinação de 1% da receita do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

As mudanças na estrutura da CDHU já estão sendo discutidas pelo governo José Serra (PSDB) há pelo menos dois meses. Em evento no Sindicato do Comércio Varejista, no início do ano, o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) afirmou em discurso que o processo de enxugamento de estruturas também estava sendo realizado no Estado, em uma referência ao encontro que discutiu o fechamento da Gerência de Logística (Gerel) do Banco do Brasil (BB) na oportunidade.

Segundo o deputado, o governo já havia decidido que a CDHU iria sofrer reformulação, mas garantiu que o escritório regional de Bauru vai permanecer. Na entrevista coletiva marcada para hoje na capital, os secretários de Estado da Habitação, Lair Krähenbühl, e de Gestão Pública, Sidney Beraldo, anunciam as mudanças.

As mudanças levam à manutenção de cinco regionais no Interior. A sede de Bauru vai receber os contratos e programas de Marília e Presidente Prudente. Ribeirão Preto ficará com o escritório de Araraquara e São José do Rio Preto vai passar a responder pela estrutura de Araçatuba. A unidade regional da CDHU em Taubaté deve ficar com o escritório da Grande São Paulo.

Dois fatores tiveram influência sobre a permanência do escritório de Bauru. Um é a posição geográfica da cidade, no Centro do Estado. A outra é operacional. A regional de Bauru lidera o ranking estadual no setor há vários anos, como a melhor carteira no gerenciamento dos programas.

A CDHU Bauru gerencia 19.700 contratos ativos, com o menor registro de inadimplência dos últimos anos. O escritório agora vai administrar também os cerca de 16.000 contratos de Marília e outros 14.000 em Presidente Prudente, o último sendo o local sobre o qual recaem denúncias de possíveis irregularidades em programas.

A informação oficial sobre o anúncio das mudanças foi divulgada ontem pela assessoria do governo estadual. “Na entrevista coletivas os secretário de Estado vão abordar o novo modelo de gestão para a Habitação de Interesse Social no Estado de São Paulo. Na ocasião, serão divulgadas alterações na estrutura da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), feitas em parceria com as Secretarias de Gestão Pública e de Planejamento, entre outras medidas”.

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Programa local

O prefeito Tuga Angerami afirmou ontem, através de sua assessoria de imprensa, que vai discutir com a direção regional da CDHU em Bauru, uma saída para o aproveitamento de pelo menos parte dos 600 lotes transferidos do Município para o Estado no local destinado aos Lotes Urbanizados, atrás do Núcleo Mary Dota.

O gerente regional da companhia em Bauru, Carlos Roberto Ladeira, disse ao JC que é possível aproveitar parte dos lotes doados, sobretudo os que estão na parte mais alta da gleba e que, por isso, apresentam menor deterioração pelo tempo. A questão é que o custo de reurbanização dos lotes é elevado (de mais de R$ 3,5 milhões) e a CDHU quer discutir parceria com a prefeitura para essa despesa.

Na avaliação da CDHU, o valor da recuperação dos lotes pode inviabilizar o programa de construção de casas de baixa renda para o local se a despesa não for rateada. “Em relação aos Lotes Urbanizados, o Prefeito Tuga Angerami irá se reunir com a direção regional da CDHU para discutir os investimentos na recuperação da infra-estrutura existente no local”, mencionou a assessoria do prefeito sobre o assunto.

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