Bairros

Moradores saem em defesa de mata

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Uma imensa área verde no meio da cidade. Preservar toda essa mata é o objetivo dos moradores do Jardim Colonial. A briga promete ser dura. Proprietários da maior parte dessa área já solicitaram um estudo ao Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Bauru (Condema) para investir na região. A criação de um parque municipal, uma das saídas pedidas pelos moradores, custaria milhões de reais aos cofres públicos.

O presidente da Associação dos Moradores do Jardim Colonial, Adão Donizete Panini, conta que um ofício será enviado ao prefeito Tuga Angerami, expondo as razões para a preservação da área. “No local existem espécies nativas da mata atlântica e também do cerrado. Muitos exemplares que existem na mata estão em risco de extinção”, conta.

Panini também destaca um estudo realizado por meteorologistas do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) que observa a mudança da temperatura no câmpus provocada pelo desmatamento na região.

“Seria um contra-senso, numa época em que tanto se fala de preservação, permitir o desmatamento dessa área”, avalia. Para assegurar o manutenção do local, a associação vai propor um abaixo-assinado entre os moradores. “Também estamos agendando uma palestra na Unesp para que os moradores tomem conhecimento da importância de se preservar a mata do Colonial”, revela.

A iniciativa dos moradores é justificável. Há dois meses, proprietários das maiores porções de terra da região pediram ao Condema a expedição de uma certidão de diretrizes ambientais para a exploração do local. No entanto, o trabalho dos técnicos do conselho foi interrompido a pedido dos próprios investidores. Segundo Miguel Cáceres, presidente do Condema, o Jardim Colonial faz parte de um fragmento florestal que se estende da avenida Edmundo Carrijo Coube até o córrego Água Comprida.

Fragmentos

Parte desse fragmento foi ocupado com os loteamentos do Jardim Colonial e Chácara Odete. Alguns lotes ainda estão cobertos pela mata, mas podem ser ocupados. Também já existe no local uma reserva legal ocupada pela área de preservação obrigatória dos dois empreendimentos.

Segundo Rodrigo Agostinho, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), existem duas formas para transformar essa área em unidade de conservação. A primeira alternativa, que inclusive conta no Plano Diretor da cidade, é considerar a área como de uso sustentável.

Dessa forma, não seria necessária a desapropriação por parte da prefeitura. “O problema é que os usos verificados para o local não são compatíveis com a preservação sustentada”, informa o secretário.

Para transformar a mata em área de proteção integral, a prefeitura teria que adquirir todo o espaço, o que significaria uma soma considerável. Apesar de não ter valores estimados, Agostinho pondera que o custo seria na ordem de milhões de reais. “A área é importante, muitas espécies em extinção já identificadas são encontradas lá”, aponta. “Mas o município não tem condições para isso”, diz.

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