Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, reafirmou que o plano emergencial para superar a crise no setor aéreo não inclui a construção imediata de um terceiro aeroporto em São Paulo. Em entrevista, ontem, no Palácio do Planalto, Jobim disse que um novo aeroporto no Estado está, sim, nos planos do governo, mas para atender ao aumento futuro da demanda; a prioridade agora é a melhoria das condições nos aeroportos paulistas de Guarulhos e Viracopos. “Estamos pensando em uma perspectiva de aumento de demanda, para que possa esse terceiro aeroporto se preparar para essa demanda futura”, disse o ministro.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em pronunciamento ao País, que o governo daria prioridade à construção de um terceiro aeroporto no Estado de São Paulo. Mas, depois do anúncio de medidas para normalizar as condições em Congonhas e Guarulhos, setores do governo disseram que as autoridades tinham desistido da construção do terceiro aeroporto. A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, porém, afirmou depois, em duas entrevistas, que o governo não havia desistido dessa idéia.
Ontem, o ministro da Defesa evitou polemizar com a ministra Dilma, mas deixou claro que a prioridade é mesmo a construção de uma terceira pista em Guarulhos e melhoria do terminal e da pista de Viracopos (em Campinas). “Não está absolutamente afastado um terceiro aeroporto, mas esse não é um tema para resolver a questão emergencial”, declarou o ministro.
Jobim informou que foi encomendado um estudo sobre a demanda do tráfego aéreo em 2020 e disse que o governo começará, na próxima semana, “consertos cosméticos” na pista de Guarulhos, para que possa receber boa parte dos vôos de Congonhas. “Será um conserto provisório, realizado de madrugada, que poderá se encerrar em novembro. A obra definitiva da pista começará em março.”
Sem nome
Jobim disse ontem que ainda não tem o nome escolhido daquele que vai presidir a Infraero. Ele disse que está examinando as possibilidades. Mas já descartou a permanência na função do atual presidente do órgão, brigadeiro José Carlos Pereira. De acordo com o ministro, não há data para anunciar a substituição.
Em relação ao aeroporto de Congonhas, onde ocorreu a acidente com o Airbus-A320 da TAM no último dia 17, Jobim destacou que ele será mantido como “um aeroporto de ponto a ponto”. O ministro reiterou a redistribuição de 151 vôos de Congonhas para os aeroportos de Cumbica, em Guarulho, e de Viracopos, em Campinas (95 quilômetros de São Paulo). Jobim afirmou que as obras definitivas em Cumbica vão ter início em março de 2008.