Turismo

New York, New York...

Por Zarcillo Barbosa | Especial para o JC Turismo
| Tempo de leitura: 4 min

Nova York é uma cidade para excêntricos e uma central de pequenas curiosidades. Se você olhar para cima vai ver dois tatus de pedra que escalam a catedral de St. Patrick. Lá no alto, no terraço do Empire States Building, formigas rastejam e fazem “panelas” no chão ladrilhado por onde transitam milhares de turistas para uma visão panorâmica de Manhattan. Como chegaram lá? Provavelmente foram levadas pelos pássaros ou pelo vento. Sei lá. Isso é com o seo Waldomiro Retz, grande “formigólogo”.

Nova York é mensurada diariamente pelas estatísticas. Americano adora saber “quanto”, embora não se importe muito com as “causas”. Prefere analisar “efeitos” para poder otimizar lucros. O “New York Almanach” divulga que os cientistas descobriram que os nova-iorquinos piscam 28 vezes por minuto, 40 quando estão tensos. Colírio neles. São 350 mil as pessoas que usam olho de vidro. Triste saber que somente fingem contemplar as excentricidades da metrópole.

O número de próteses cresce com as sucessivas guerras nas quais o país se mete e depois não sabe sair: contra a Alemanha e o Japão; contra a Coréia; contra o Vietnã. Agora, os norte-americanos estão encalacrados no Iraque. Esses conflitos geraram uma legião de mutilados e neurotizados. Os hospitais de veteranos vivem lotados.

Às vezes Nova York se torna uma mistura de coisas irritantes e sons inesperados. As sirenes assustam quem vem de fora. É uóóóóómm o tempo todo. Faz parte do cotidiano deles. Sempre tem alguém a ser socorrido pelas ambulâncias ou um incêndio para dar trabalho aos bombeiros nesta época de calor infernal. As mobilizações de socorro podem ocorrer até por causa do gato que subiu na árvore e não consegue descer. Uóóóómm.

A alegria pode vir do som de um negro tocando piano no meio da Sixty-First Street. O negro fica em êxtase dedilhando o teclado no estilo Oscar Petterson. Arrecada um bom dinheiro em moedas e notas despejadas na caixinha pelos passantes. De repente o concerto acaba. O pianista empurra seu instrumento por uma rampa do caminhão de mudança e cai fora antes do “rapa”, para tocar em outra freguesia. Nova York é assim... Gente que discursa no Central Park contra Fidel Castro e outro que quer o fim da ocupação do Iraque.

Sob um poste de luz outro anônimo tira sons pungentes do seu instrumento. Toda tarde um saxofonista meio maltrapilho, as bochechas enfunadas feito uma vela de barco, fica na calçada da 7ª Avenida tocando “Danny Boy” de um jeito tão melancólico, tão sensível, que em pouco tempo metade dos moradores das redondezas se põe a olhar pelas janelas, jogando moedas de um quarto de dólar aos seus pés.

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Central Park

Tem tudo para todos em todas as estações do ano. Mas não existe melhor época para estar no Central Park do que no outono. As folhas ficam vermelhas e caem. O parque dá um show com suas nuanças de verde e cobre, com a moldura dos enormes prédios da cidade.

Bem em frente morou e foi assassinado John Lennon. Há um memorial em meio aos jardins. Concertos sinfônicos ao ar livre, aluguel de bicicletas, cavalos e até carruagens, barquinhos, patins. Tem caminhadas românticas e zoológico. Até o pôr-do-sol. Ao anoitecer... caia fora!

Depois de percorrer esse básico você já pode ser incorporado às estatísticas da cidade como mais um novaiorquino.

Não deixe de comer o seu hot-dog na Nedick´s, na Rua 34 com a Broadway – a barraquinha de cachorro-quente mais movimentada do mundo. Todo o dia 600 mil pessoas passam por aquela esquina. Pelo menos 10 mil vão ao Nedick´s para devorar número quase igual de sanduíches. Por isso a barraca vale uns US$ 2 milhões. Fale em português que sempre tem brasileiro servindo. O quiosque é tão famoso que lá eles dizem que a Macy´s, a maior loja do mundo, “fica perto da Nedick´s”.

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Broadway

À noite, deixe-se levar ao lugar mais famoso do mundo: a Broadway. Foi na esquina da Rua 44 que nasceu o maior palco do planeta. Os superespetáculos são de tirar o fôlego, embora já estejam sendo reproduzidos em São Paulo (“Os Miseráveis”, “Chicago” e agora “Miss Saigon”) sem dever nada à matriz.

Tem uma barraquinha da TKTS na Times Square onde os ingressos que sobraram podem ser adquiridos mais baratos, para espetáculos do mesmo dia. Tem também a turma do fundão que pode assistir de pé e paga a entrada na hora, no guichê do teatro. É uma dica para você não contar pra ninguém...

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