Zurique- Na sede da Fifa, na Suíça, onde apresentou o documento oficial do comitê brasileiro para organizar a Copa de 2014, Ricardo Teixeira desabafou e explicou algumas das razões que fizeram a Seleção perder a Copa da Alemanha.
“Tinha jogador que chegava entre 4 e 6 da manhã bêbado”, afirmou o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de ontem. A fracassada campanha na Copa da Alemanha, quando o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final pela França, era bastante criticada pelos poucos treinos e as muitas badalações dos jogadores com a torcida e com a imprensa.
Sobre isso, Teixeira deixou a entender que faltou pulso firme do técnico Carlos Alberto Parreira: “Era óbvio que aquilo não ia funcionar. Como é que ninguém via isso?”, disse o dirigente.
Até Ronaldo, antes um dos queridinhos da CBF e titular das últimas três Copas do Mundo, foi responsabilizado. Segundo o presidente, a gordura em excesso foi o problema do atacante do Milan. “Como é que um atleta (Ronaldo) pode chegar a uma Copa pesando 98 quilos? Eu tenho quase isso e não sou atleta”, continuou.
Para Teixeira, o Brasil precisa achar um substituto para o jogador: “Com quantos anos está Ronaldo hoje? Com quantos anos ele estará em 2010 na Copa? É só isso que eu tenho a dizer”, insinuou. Ronaldo estará com 33 anos na Copa da África do Sul.
Jogadores em silêncio
As declarações de Ricardo Teixeira, presidente da CBF, acusando jogadores de terem exagerado na bebida e passado madrugadas fora da concentração em dias de folga durante a Copa da Alemanha, causaram grande repercussão e incomodaram atletas da Seleção Brasileira. Ninguém, no entanto, quis se envolver na história.
A Agência Estado fez contato, ontem, com a assessoria de Cafu, Roberto Carlos, Zé Roberto, Juninho Pernambucano, Kaká e Ronaldo, todos presentes no Mundial do ano passado. Eles preferiram não falar sobre o tema. O mesmo ocorreu em relação a Carlos Alberto Parreira - seus assessores tentaram localizá-lo, mas não obtiveram retorno.
Parreira foi criticado de forma indireta por Ricardo Teixeira, por ter permitido o exagero de alguns durante a Copa. Pessoas ligadas ao grupo que esteve na Alemanha garantem que os comentários de Ricardo Teixeira são corretos. Essas fontes, que pediram sigilo de identidade, disseram que houve excessos em Königstein, primeiro local de concentração da Seleção Brasileira na Alemanha.
Nos dias de folga da seleção, um grupo de jogadores saía para boates ou danceterias e voltava de madrugada, ou pela manhã, ao hotel. Alguns apareciam embriagados. “Havia até quarto reservado para que alguns jogadores levassem mulheres”, revela uma das pessoas ligadas ao time do Brasil que esteve na Copa da Alemanha.