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Videolocadoras cobram fiscalização

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

DVDs piratas vendidos a R$ 5,00 e vídeos baixados pela Internet com facilidade. Com essa concorrência desleal e difícil de conter, o mercado das videolocadoras em Bauru está abalado, registrando perda de receita de 40% nos últimos dois anos, segundo empresários do ramo.

Para tentar combater este inimigo que cresce a olhos vistos, um grupo de 48 proprietários de locadoras da cidade decidiu unir forças. Na manhã desta segunda-feira, uma comissão que os representa realizará uma audiência com o chefe de gabinete da prefeitura, João Baptista Campos Porto. A intenção é reivindicar fiscalização da municipalidade para coibir a atividade ilegal dos vendedores ambulantes.

Depois do encontro com Porto, o grupo se reunirá novamente para avaliar o resultado da audiência e definir quais serão as próximas medidas a serem tomadas. “Essa conversa com a prefeitura é só o começo de um processo. Logo em seguida, vamos entrar em contato com as polícias Civil, Militar e Federal e até mesmo com a Procuradoria da República para cobrar medidas para esta situação”, frisa Márcio Aparecido Shibukawa, proprietário de uma rede com três lojas na cidade.

A idéia de formar um grupo foi inspirada no exemplo de outras cidades, que passaram a exigir das autoridades maior atuação no combate à pirataria. Em 19 de julho, o grupo de empresários realizou a primeira reunião e, a partir dela, decidiu que juntos seriam mais fortes para reivindicar mudanças.

No entanto, eles se uniram também pelo receio de sofrer represálias por parte do crime organizado, possivelmente envolvido no comércio ilegal de filmes. “Avaliamos que seria mais seguro. Nenhum dos proprietários teria coragem de se colocar à frente, porque todo mundo tem família”, salienta um dos empresários, que preferiu não se identificar. Atualmente, segundo ele, há cerca de 80 proprietários de locadoras em Bauru, entre pequenas e grandes lojas. A intenção é que todos eles se aliem para que o grupo seja ainda mais fortalecido.

Os proprietários são unânimes em apontar a pirataria como a grande inimiga das videolocadoras, por roubar uma fatia significativa da clientela tanto em função das vendas ambulantes quanto dos downloads pela Internet.

Porém, as cópias ilegais de filmes para fins de uso doméstico, realizadas a partir de programas de compartilhamento de arquivos, ainda é quase impossível de ser fiscalizada. Por esse motivo, os empresários elegeram como prioridade agir contra o comércio irregular de DVDs nas feiras e bancas de camelôs.

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Prejuízos

Para Luís Milanez, proprietário de uma rede com cinco locadoras em Bauru, a venda de filmes piratas nas ruas é indiscriminada e a concorrência, desleal. “Os camelôs agem livremente porque acreditam na impunidade. E estão muito atualizados: o filme mal entra em cartaz nos cinemas e eles já têm a cópia em suas barracas”, afirma.

Na semana passada, a Polícia Civil apreendeu 400 cópias de filmes piratas em DVD no Pousada da Esperança 2. Em março, uma central para piratear filmes em DVD foi desativada.

Mas diante das irregularidades que observam nas ruas aliadas às constantes quedas de faturamento em seus estabelecimentos, os proprietários acreditam que as ações da polícia ainda são insuficientes.

Em função da diminuição do movimento de clientes, a maioria dos 48 empresários que formam o grupo está fazendo cortes de gastos. “Precisei demitir cinco funcionários nos últimos seis meses. A quantidade de cópias de um mesmo filme e a variedade foram reduzidas em torno de 30%”, revela Milanez.

Em algumas lojas, o empresário também se viu obrigado a encurtar o horário de atendimento. “Em duas lojas que funcionavam das 12h à meia-noite, agora a gente abre das 16h às 22h”, diz. Segundo ele, já há a possibilidade de uma de suas lojas ser desativada.

Para tentar contornar a crise, algumas locadoras estão procurando incrementar o faturamento com a oferta de outros serviços. Uma delas, localizada na zona sul da cidade, instalou há quatro meses uma lan house ao lado das prateleiras de DVDs como nova alternativa de renda. “Já tínhamos como prática aliar outros serviços, como a livraria e o café. A lan house foi uma forma de recuperar um pouco os lucros”, destaca a proprietária Cláudia Rossi. Ela já planeja oferecer o mesmo serviço nas outras duas unidades da rede.

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