São Paulo - A voz do engenheiro de tráfico repete: “Excepcionalmente hoje (ontem), a linha 1 está paralisada”. Excepcionalmente ontem, ele tirou o dia para ser maquinista, no esforço do Metrô para repor os funcionários em greve. Seu nome não pode ser divulgado. “Ele é um dos engenheiros mais experientes da empresa, sabe tudo de metrô”, garante Wilson Ferreira Braga, 54 anos, supervisor operacional que também está operando trens.
Braga trabalha no metrô há 26 anos - os quatro primeiros como operador de trem e os últimos 22 anos como supervisor. “Operar o trem é a melhor função de todo o Metrô”, garante. “De engenheiro a maquinista, todo mundo sabe tocar o trem.”
No dia-a-dia, ele formula as escalas de trabalho, inspeciona falhas operacionais e faz outras atividades administrativas. Nesses dois dias, voltou a operar o trem.
Braga nega que ter ficado tanto tempo sem ser maquinista seja um problema. “Primeiro que a gente sempre dá uma voltinha no trem. E, segundo, é que nem andar de bicicleta. Nunca se esquece e é fácil pegar o ritmo.”
Cerca de 1.100 funcionários administrativos, de engenheiro a analista de sistemas, foram deslocados para a rotina das estações. Segundo o Metrô, há 550 funcionários trabalhando em dois turnos de oito horas para cobrir a greve.
Para o presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, Flávio Montesino Godoi, os operadores substitutos não estão capacitados para a atividade. “No primeiro dia de greve, colocaram um assessor de imprensa para operar. Ele não fazia isso havia dez anos”, disse.
O gerente de operações do Metrô, Mário Fioratti, negou que tenha havido anormalidade nos dois dias. Disse que as afirmações do sindicato, de que funcionários administrativos manejando trens trariam riscos à segurança dos passageiros, não procedem. “Todos foram treinados para isso.”