Brasília - Um dia depois de ser assaltado, o frigorífico Mafrial, apontado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL) como intermediário da venda de gado de suas fazendas, entregou documentos à Secretaria da Fazenda de Alagoas. A Diretoria de Fiscalização de Estabelecimentos da secretaria alagoana solicitou demonstrativos de abate de gado da empresa na segunda-feira, durante uma averiguação.
Ontem, a secretaria não informou se foram esses os documentos entregues pelo Mafrial e disse que o material só será analisado na próxima semana. Em relato à polícia anteontem, a dona do frigorífico, Zoraide Beltrão, disse que os assaltantes roubaram documentos da empresa, além de dinheiro e cheques. Ela não quis dizer quais documentos haviam sido levados pelos ladrões. Funcionários do Mafrial, localizado em Satuba (região metropolitana de Maceió), disseram que durante o assalto um dos bandidos perguntou a outro sobre “os documentos do Renan”.
Renan, que é suspeito de ter contas pessoais pagas por um lobista, responsabilizou o Mafrial pelo uso de “laranjas” na compra de gado depois que reportagens mostraram que os açougues e estabelecimentos indicados em recibos apresentados por ele não existiam ou funcionavam em situação precária. A reportagem noticiou que o frigorífico não tem autorização para comercializar carne, o que contraria a versão do senador.
O promotor de Satuba, Cyro Blatter, disse que irá investigar a suspeita de que o governo de Alagoas é sócio minoritário no frigorífico.