Esportes

Personagem: “Apaixonado” investe cerca de R$ 38 mil em uniformes de futebol

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

O futebol é o esporte nacional. Isso ninguém discute. No campinho de areia ou no Morumbi lotado, a razão passa longe de ficar em primeiro lugar. Tem gente que se dedica apenas aos noventa minutos sagrados da arte de fazer rir ou chorar. Mas existem outros que não se contentam com míseros momentos de satisfação. Esses são viciados, que precisam sim de horas, meses, anos de dedicação para alimentar um sentimento: a paixão.

É o caso do engenheiro Carlos Alberto de Godoy, de 33 anos, que não economiza tempo nem dinheiro para aumentar cada vez mais a sua coleção de (hoje) 380 camisas de times de futebol. “Tenho o uniforme de todas as equipes das séries A e B do Brasileirão, alguns da série C e todos da A1, A2 e A3 do paulista”, revela orgulhoso, mostrando um sedex contendo as três mais novas aquisições (em média ele compra 12 camisas por semana).

É tanta camiseta que o quarto de Godoy fica lotado e não dá nem para andar. Apesar de nunca ter usado nenhuma das suas relíquias, ele é organizado e tem todo um ritual para cada exemplar adquirido. “Fotografo todas elas, guardo em gavetas, sempre protegidas com saquinhos plásticos para não sofrer a ação do tempo, e desenho um mapa para saber onde ela está guardada”, descreve a rotina.

Como todas as camisas são oficiais (algumas inclusive autografadas e utilizadas em partidas), calculando uma média de R$ 100,00 por item (segundo ele a mais cara custou R$ 175,00 e a mais barata cerca de R$ 60,00), o montante investido deve girar em torno de R$ 38 mil.

“Já me ofereceram um Palio zero quando tinha 120 (uniformes). Hoje, nem se derem um Astra novo eu me desfaço delas. Ninguém faz idéia de como é difícil conseguir juntar tudo isso”, conta.

Segundo Godoy, o principal aliado dos colecionadores é a internet. “Como a gente gosta dessas raridades (camisas de divisões mais baixas), o jeito mais fácil de conseguir é negociando pelo computador. Hoje em dia conheço colecionadores de todo o País”, afirma o engenheiro, que já cansou de viajar para cidades da região atrás de peças que ainda não tinha. “Uma das mais difíceis foi a do Sertãozinho. Fui até a cidade, no estádio e ninguém tinha uma camisa para vender. Eu só fui arrumar com um funcionário do estádio do Botafogo, em Ribeirão Preto”, conta.

O engenheiro revela que é difícil ele tirar um tempo para dar uma olhada na coleção, mas revela que os aficionados pelo hobby tem uma certa união e chegam até a trocar exemplares. “Geralmente a gente escolhe uma camisa de um time que você tem outras três ou quatro e vende ou troca”, explica o mecanismo.

Sua coleção foi iniciada em 2000, com uma camisa do Galo mineiro, presente do pai, Antônio Sebastião de Godoy, que confessa ter insistido para que o filho parasse de gastar dinheiro com o hobby. “Chegava a me incomodar o tanto que ele ficava atrás de camisetas para comprar. Eu pedia para parar e não adiantava. Daí percebi que é um tipo de vício, desisti, e hoje recebo as encomendas que chegam para ele”, conta.

O entusiasmo de Godoy era fácil de ser percebido nos olhos, gestos e explicações sobre as histórias de cada exemplar. O repórter, curioso (e também apaixonado) fez questão de dar uma boa olhada nos mantos sagrados. Pena que não foi possível ficar para dar uma ajuda para colocar tudo de volta no lugar.

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