Tribuna do Leitor

Cuidado com a história de sua cidade


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Através do “Google” é possível pesquisar a “origem dos nomes dos municípios paulistas”, mas a existência de erros constantes podem não só prejudicar os menos avisados como ainda deturpar a história, isto porque as informações ali registradas certamente não têm nenhuma comprovação com documentos primários.

A companhia Paulista de Estradas de Ferro, ao abrir a malha ferroviária, desde a localidade de Piratininga, onde se encontrava parada desde 1905, em direção à barranca do rio Paraná, a partir de 1921, quando da construção da chamada “Alta Paulista”, foi edificando estações e homenageando vultos nacionais, pois nada existia ainda.

O município de Cabrália-SP é citado na “origem dos nomes dos municípios paulistas” como tendo sido fundado em 1915, e seu nome decorreu da existência de muitas cabras, criadas por imigrantes italianos. Na verdade, em 1925, com a estação construída, homenageou-se Pedro Alvares Cabral, o descobridor português, obedecendo-se a ordem alfabética pré-estabelecida por um funcionário da ferrovia e nada tem a ver com a criação de cabras, se é que existiu.

Duartina é definida como homenagem dos católicos ao bispo dom Carlos Duarte da Costa, de Botucatu, onde se localizava, em 1926, a diocese. A homenagem não se fez ao bispo, mas tão somente a Duarte da Costa, 2.º governador geral do Brasil, evidentemente um vulto nacional.

Gália foi mencionado que a construção da “estação acabou batizando a localidade”. A verdade é que Gália, antigamente, é a atual França, de onde o Brasil, no início século XX, recebeu muito ajuda: costumes, literatura e arquitetura, como ainda a presença de engenheiros construtores de ferrovia, como aconteceu com a Noroeste do Brasil.

Castilho, mencionado que “não há registros oficiais da origem do nome", mas provavelmente se refere a Alfredo de Castilho, morador da região. Na realidade, trata-se de uma estação construída pela Noroeste e inaugurada em 1937, na variante Araçatuba-Jupiá. Quem determinou a construção foi o diretor da NOB engenheiro Alfredo de Castilho, que residia em Bauru, na quadra 2 da rua 1.º de Agosto, não “na região”, como foi mencionado. A estação iria receber a denominação de Cauê, mas como o engº Alfredo Castilho deixou a ferrovia, antes de ser inaugurada a estação, o novo diretor, major-aviador Américo Marinho Lutz, determinou que fosse denominada Alfredo de Castilho, como homenagem ao seu antecessor. Com a redução dos nomes de estações, em 1926 o palavra “Alfredo” desapareceu, ficando apenas Castilho.

Cafelândia, quando engenheiros e trabalhadores que procediam a construção da ferrovia Noroeste chegaram no quilômetro 125, em 1907, tomaram conhecimento do nome da região - Monjolo. Dia 16/2/1908, o presidente da República, Afonso Penna, chegou àquele local, em trem especial e a estação foi inaugurada com o nome de Presidente Penna, no quilômetro 125. A povoação surgiu junto à estação, em terras doadas por Beraldo Toledo de Arruda. O nome Cafelândia surgiu com outra povoação, do outro lado do rio, cujo nome foi dado pelos irmãos Zucchi, doadores das terras.

Mais tarde ocorreu a fusão das povoações (Pena e Cafelândia), prevalecendo o segundo nome, diante da grande quantidade de fazendas de café na região. Afirmou “origem dos municípios paulistas” que “A fundação em 1919, coincide com a inauguração da estação de trem Afonso Penna”. É uma afirmação incorreta, pois a estação foi inaugurada em 1908 e o município elevado em 1919.

Reginópolis foi citada como desmembrada de Pederneiras em 3 de abril de 1949. A verdade, porém, é outra. Até 1937, a localidade era distrito de paz, subordinada a Iacanga e à Comarca de Pederneiras. Nesse mesmo ano, por determinação do interventor federal de São Paulo, Armando Salles de Oliveira, a antiga povoação de Nossa Senhora Rainha dos Anjos do Batalha, conhecida depois por Reginópolis, passou à subordinação de Pirajuí, na condição de distrito de paz do município e da Comarca de Pirajuí e quando se emancipou encontrava-se subordinada a Pirajuí, não a Pederneiras.

Aí estão alguns erros que certamente podem distorcer fatos históricos e denegrir a imagem da pessoa que, colhendo esses dados, venha posteriormente mencioná-los como verdadeiros.

Vivaldo Pitta - diretor do Museu Municipal de Avaí

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