Polícia

Morrem mais motociclistas do que pedestres nas rodovias

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O perfil das vítimas fatais em acidentes nas rodovias de Bauru e região mudou. Historicamente, pedestres atropelados eram responsáveis pela maior parte das fatalidades nas estradas - entre 25% a 30% das mortes. Nos primeiros sete meses de 2007, estatísticas do 2.º Batalhão de Policiamento Rodoviário, responsável por Bauru e outros 230 municípios, apontam que o percentual de motociclistas mortos já é o dobro dos pedestres atropelados.

De acordo com o coordenador operacional do 2.º Batalhão, major Benedito Roberto Meira, a frota de motocicletas na região aumentou consideravelmente. Por serem um meio de transporte que não depende de horários estabelecidos, como os ônibus intermunicipais, serem econômicas e estarem mais acessíveis, as motocicletas são cada vez mais comuns nas estradas.

“Porém, a formação dos motociclistas nas auto-escolas é para a cidade e não para as rodovias. Nos centros de treinamento, eles aprendem a andar no circuito, fazem rampa, mas não sentem as variações que vão enfrentar na estrada, como velocidade alta, vento, chuva, curvas e a falta de luminosidade à noite”, avalia Meira.

De todas as mortes nas estradas da área que compreende a 1.ª Companhia do Policiamento Rodoviário, que abrange Bauru e mais 48 municípios, apenas duas aconteceram durante o dia. A maioria dos acidentes ocorre à noite, em trechos de rodovias com pistas simples. Muitos são colisões frontais, ocasionadas geralmente por invasão da pista por outro veículo, quando não há respeito pela proibição de ultrapassagem. Meira também revela que as mortes ocorrem mais aos domingos. “Além de um movimento maior de veículos nas rodovias, há uma freqüência maior de motociclistas inexperientes”, informa.

Na noite de 15 de julho, um domingo, um acidente na rodovia que liga Bauru a Iacanga matou Marta Estevam, 42 anos, que dirigia uma moto. Sua carona, Luciana Pereira Luna, 30 anos, permanecia internada no Hospital de Base até a noite de sexta-feira. Rafael Nascimento Soares, 20 anos, e seu irmão mais velho Adriel, 24 anos, que estavam em outra motocicleta, também morreram.

O grande número de motos nas rodovias, somado à falta de experiência do motociclista e a visibilidade limitada durante as noites, elevaram de 11% para 32% o percentual destes condutores entre as vítimas fatais entre janeiro a julho de 2006, em comparação com o mesmo período em 2007.

Para o instrutor de auto-escola Paulo Castro, deveria ser permitido que os alunos fizessem aulas em rodovias, acompanhados de instrutores. “Em Santa Catarina, é permitido que o aluno vá para a pista, mas em São Paulo não podemos. Eu acredito que, fazendo aulas nas estradas, os alunos aprendem as dificuldades e a melhor forma de enfrentá-las”, diz.

Fiscalização

Na avaliação do coordenador, proibir a circulação de motociclistas nas estradas de pistas simples - apesar de ser uma resolução drástica - colocaria fim ao risco que os motociclistas correm. Como essa medida é inviável, pois cerceia o direito de ir e vir do cidadão, Meira promete intensificar a fiscalização de motociclistas.

“Seremos rigorosos. Vamos fiscalizar pneus, capacetes, documentos, dispositivos de segurança, número de pessoas transportadas no veículo, tudo”, garante.

Além disso, ele pretende investir na orientação dos condutores. “Vamos procurar alertar com estatísticas os riscos que um motociclista corre ao dirigir no período noturno”, conclui.

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